O documentário “ Anatomia do Caos” , dirigido por Dandara Ferreira, estreia nesta 5ª feira (2.jul.2026) –6 anos depois do início da pandemia de covid-19, que deixou mais de 700 mil mortos no Brasil. O filme relembra depoimentos e traz imagens inéditas dos bastidores da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid-19, aberta pelo Senado em abril de 2021. A cineasta contou ao Poder360 que fez o filme como uma espécie de reparação da tragédia.
“ Eu não conheço nenhum desrespeito mais grave à vida do que os deboches do [então] presidente [ Jair Bolsonaro (PL)] das pessoas que estavam sem ar. Banalização do mal. Justiça é o que estamos precisando para lavar a alma e seguir em frente” , declarou Dandara.
Eis os 7 principais momentos da CPI da Covid relembrados pelo filme: médicos declaram ser contra o isolamento Sérgio Lima/Poder360 – 1º.jun.2021 A médica Nise Yamaguchi, defensora do uso da cloroquina no tratamento do coronavírus, foi ouvida pela CPI da Covid no Senado em junho de 2021 Em outubro de 2020, 6 meses antes do início da CPI da Covid, 4 médicos foram ouvidos em uma comissão na Câmara dos Deputados por sugestão do então líder do governo, o deputado Ricardo Barros (PP-PR). O filme relembra os depoimentos do pediatra Anthony Wong e da médica Nise Yamaguchi, que se declararam contra o isolamento social e a vacina obrigatória. Eles também defenderam a prescrição de hidroxicloroquina, apesar de estudos científicos terem descartado sua eficácia.
Wong foi internado com sintomas de covid em 17 de novembro de 2020. A doença foi confirmada por um exame PCR. Ele morreu em 15 de janeiro de 2021, aos 73 anos, mas o seu atestado de óbito afirma que a morte foi causada por choque séptico, pneumonia, hemorragia digestiva alta e diabetes, sem qualquer menção à covid-19 .
Leia mais: Médica acusa senadores da CPI de misoginia e pede indenização de R$ 360 mil Em carta, Nise Yamaguchi diz ter sido “humilhada” por senadores da CPI Ex-assessor de Bolsonaro explica o “gabinete paralelo” em lives irregularidades na compra da Covaxin Sérgio Lima/Poder360 – 25.jun.2021 A CPI da Covid no Senado ouviu o deputado Luis Miranda (dir.) e Luis Ricardo Miranda (esq.), ex-chefe de Importação do Departamento de Logística em Saúde e irmão do congressista. Eles falaram sobre as irregularidades na compra da vacina indiana Covaxin contra covid-19 Ao ser questionado sobre irregularidades na contratação da vacina indiana Covaxin, o então deputado Luis Miranda disse que não se lembrava do nome do congressista citado por Bolsonaro como suspeito de envolvimento no caso. “Não dá para fazer um esforço de memória?
Seria muito importante” , declarou o senador Renan Calheiros (MDB-AL). “O presidente sabe” , respondeu Miranda. “ O senhor não teria mesmo como lembrar o nome do deputado?” , questionou o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP).
“ Você pode falar o nome do deputado? Porque nós já sabemos” , disse a então senadora Simone Tebet (PSB). Depois de ser muito pressionado pelos congressistas, Miranda afirmou: “Foi o Ricardo Barros que o presidente falou”.
Ele disse: “ Eu queria ter dito desde o 1º momento, mas vocês não sabem o que eu vou passar” .
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