A saída da Inglaterra da Copa do Mundo, confirmada com o apito final na quarta-feira em Atlanta, gerou uma onda de desapontamento em todo o país. Entretanto, para algumas pessoas, surgem emoções bem diferentes, como o medo e a apreensão. Pesquisas da Universidade de Lancaster indicam que os casos de violência doméstica aumentam em 26% durante os jogos da seleção e chegam a 38% nas derrotas.
O medo constante durante torneios
Durante competições de grande porte, como a Copa do Mundo, muitas mulheres e meninas vivem sob constante temor. Rebecca Goshawk, que atua na organização de apoio a vítimas de violência doméstica Solace, estava assistindo à semifinal contra a Argentina e destacou: "Sabemos que existem sobreviventes e vítimas que temem a volta de seus parceiros para casa e o que isso pode significar para sua segurança".
Goshawk relatou que as vítimas frequentemente enfrentam gritos, menosprezo e até violência física. "Para muitas mulheres, essa não é uma experiência isolada, mas um padrão que elas já conhecem", afirmou.
Dados alarmantes sobre a violência
A violência contra mulheres e meninas após partidas de futebol é um problema recorrente. O Conselho Nacional dos Chefes de Polícia divulgou dados que revelam mais de 300 ocorrências de violência doméstica registradas durante o Euro 2024, onde as vítimas associaram o comportamento dos agressores ao futebol. Embora os números referentes à Copa do Mundo de 2026 ainda não estejam disponíveis, Goshawk prevê estatísticas semelhantes para o torneio atual.
Esse aspecto sombrio de um evento esportivo, que deveria trazer alegria, preocupa especialistas. A profissional de Solace enfatiza que a responsabilidade não está no futebol, mas sim nos agressores, que na maioria dos casos são homens. O aumento no consumo de álcool também pode potencializar a agressividade, elevando a sensação de perda ou desapontamento.
O papel da comunidade e das autoridades
A Procuradoria Geral da Coroa (CPS) observa de perto o impacto da violência doméstica nas vítimas. De acordo com a CPS, quatro em cada cinco casos encaminhados pela polícia resultam em acusações. Olivia Rose, líder nacional de assédio da CPS, ressaltou que os abusos não se limitam à violência física, mas incluem também abusos coercitivos e controladores.
“É crucial que as vítimas consigam identificar os sinais de abuso cedo”, disse Rose. Ela alertou sobre comportamentos como monitoramento de celulares e redes sociais, além de chantagens emocionais. A CPS, responsável pela acusação de casos criminais, trabalha em conjunto com a polícia e organizações de apoio às mulheres, buscando maneiras de interromper esses comportamentos e ajudar as vítimas a se afastarem de situações abusivas.
A CPS também apela à comunidade para que esteja atenta a amigos, familiares e vizinhos que possam estar vulneráveis durante a Copa do Mundo. “Se você puder intervir, poderá fazer uma diferença significativa na vida de alguém”, afirmou Rose.
Aqueles que enfrentam situações de abuso e estão em perigo imediato devem sempre ligar para o 999. A denúncia também pode ser feita à polícia pelo número 101, e serviços de apoio confidenciais estão disponíveis através da Linha Nacional de Apoio à Violência Doméstica, no número 0808 2000 247 na Inglaterra, ou pelo telefone 0808 80 10 800 no País de Gales. A linha de apoio da Solace é: 0808 802 5565.
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