Bangladesh demonstra uma notável paixão pelo futebol sul-americano, especialmente pelo Brasil e Argentina, mobilizando milhões de torcedores em torno da Seleção Brasileira a cada Copa do Mundo. A conexão com o Brasil começou em 1970, quando o país conquistou seu tricampeonato mundial, mesmo sem a seleção de Bangladesh ter se classificado para o torneio.
As ruas de Dhaka, a capital, se transformam durante o evento, com bandeiras e cores verde e amarela predominando em meio ao comércio local. Gráficos com a tabela da competição são fixados nas paredes para que os moradores possam acompanhar os jogos. Segundo Pratap Hazra, ex-jogador da seleção de Bangladesh, a paixão pelo futebol brasileiro cresceu em um período em que o país lutava por sua independência do Paquistão, tornando Pelé uma figura icônica entre os bengalis.
O Impacto Cultural de Pelé
A figura de Pelé, erguendo a taça Jules Rimet, se tornou um símbolo de emancipação para os bengalis. Hazra relata que, na época, as pessoas não tinham acesso à televisão e acompanhavam o sucesso do Brasil por meio dos jornais. Em reconhecimento à influência de Pelé, o novo presidente de Bangladesh, após a independência, determinou que sua biografia fosse traduzida e incluída no currículo escolar.
Rivalidade e a Ascensão da Argentina
Apesar do críquete ser considerado o esporte nacional, o futebol internacional domina a cena a cada quatro anos. A rivalidade entre Brasil e Argentina se intensificou após a Copa de 1986, quando Diego Maradona se destacou com a famosa partida contra a Inglaterra. Essa identificação com o triunfo argentino ressoou na população, que via um paralelo com sua própria luta por independência.
Atualmente, a preferência entre as gerações em Bangladesh se revela diversificada. Shinul Parviz, jornalista local, observa que os torcedores mais velhos tendem a apoiar o Brasil, enquanto os mais jovens se inclinam para a Argentina, especialmente em função da figura de Lionel Messi. Comerciantes de Dhaka relatam que as camisas da seleção argentina representam 60% das vendas, enquanto as do Brasil correspondem a 40%.
Durante as transmissões, multidões se reúnem em praças públicas, ignorando o horário das partidas. Na madrugada em que Brasil e Noruega se enfrentaram, milhares de torcedores se reuniram para assistir ao jogo, que ocorreu às 2h30 no horário local. A convivência pacífica entre torcedores das duas seleções é comum, com famílias decorando suas casas com bandeiras de ambos os países.
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