A Noruega, com uma população semelhante à da Escócia, se tornou uma potência no futebol mundial, especialmente na Copa do Mundo, onde a seleção conta com estrelas como Erling Haaland, do Manchester City, e Martin Ødegaard, capitão da equipe nacional e do Arsenal. Haaland, com sete gols no torneio, é um dos principais nomes da seleção, que se destaca não apenas por ele, mas por um sistema de formação que já revelou 17 jogadores atuando nas principais ligas da Europa.
O sucesso norueguês é o resultado de mais de duas décadas de planejamento, conforme explica Hakon Grottland, chefe de desenvolvimento de jogadores da Federação Norueguesa de Futebol. Ele destaca a transformação do país, tradicionalmente associado a esportes de inverno, em uma nação competitiva no futebol. “Quando comecei na federação em 2010, sonhava que a Noruega pudesse competir na Copa do Mundo, pois passamos anos falando sobre 1998,” afirmou Grottland.
Investimentos em Infraestrutura e Mudanças na Formação
Os principais fatores para o sucesso da Noruega são o investimento em campos de grama sintética entre 2000 e 2010 e a revolução no treinamento de jogadores, iniciada com a criação da Escola Nacional de Futebol (NTS) em 2013. Desde 2000, o país construiu um grande número de campos artificiais, com 539 novos e 586 reformados entre 2016 e 2025. Essa mudança foi crucial, especialmente em um país com invernos rigorosos, permitindo que o futebol deixasse de ser um esporte de verão.
“O futebol na Noruega passou a ser um esporte praticado durante todo o ano,” destacou Grottland. Antes, os jogadores eram forçados a atuar em campos de gelo, o que limitava o desenvolvimento de um estilo de jogo mais técnico. Hoje, essa evolução é visível, especialmente em jogadores como Ødegaard, que representa uma nova geração.
Modelo de Desenvolvimento e o Papel das Apostas
Além da infraestrutura, a NTS não é uma academia tradicional, mas sim uma estrutura nacional que conecta clubes de base, federações e clubes de elite. Grottland enfatiza a importância do sistema de base, que permite que crianças permaneçam em seus clubes até os 12 anos, evitando a seleção precoce de talentos. “Não tentamos fechar portas muito cedo,” afirmou.
O financiamento do esporte na Noruega é também facilitado por uma regulamentação das apostas. A Norsk Tipping, operadora estatal, destina 64% de sua receita para o esporte, gerando mais de 2 bilhões de coroas norueguesas em 2026. Esse modelo de financiamento tem contribuído para a melhoria das instalações esportivas e o fortalecimento do futebol no país.
Com a seleção norueguesa se preparando para enfrentar a Inglaterra nas quartas de final, a expectativa é alta. Grottland acredita que a NTS pode não apenas enriquecer o futebol nacional, mas também ajudar na formação de jogadores que se destacam nas ligas internacionais. “Um dos nossos principais objetivos é produzir e vender jogadores para as grandes ligas,” concluiu.
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