O recente vídeo divulgado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro está causando repercussões significativas no cenário político, com analistas apontando que seu impacto pode ser maior do que o do caso Dark Horse, que revelou relações controversas do senador Flávio Bolsonaro. A afirmação é do cientista político Thomas Traumann, que comentou o assunto no programa Estúdio i da GloboNews.

Disputa pelo protagonismo no bolsonarismo

Traumann destacou que a manifestação de Michelle não é apenas um desgaste momentâneo, mas reflete uma luta pelo protagonismo dentro do bolsonarismo. “Ele consegue rachar o bolsonarismo onde o movimento é mais essencial, que é justamente o fato de ele ter uma direção única”, afirmou.

Segundo o analista, Michelle rompe com a característica de unidade que sempre marcou o grupo político liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. “Ela semeia uma dúvida dentro do eleitor bolsonarista a respeito de Flávio Bolsonaro, que nenhuma outra pessoa teria a mesma credibilidade para fazer”, concluiu Traumann.

Michelle como nova liderança

O comentarista Octavio Guedes, também da GloboNews, avaliou que Michelle se consolidou como uma figura importante entre a direita evangélica do país, especialmente após sua recente declaração: “Eu sei mais do que eles pensam”. Guedes sugeriu que essa frase pode ser interpretada como um recado que vai além da política, refletindo uma disputa interna familiar.

Ele observou que a crise começou a se intensificar quando Michelle apoiou o senador Eduardo Girão (NOVO) no Ceará, enquanto Jair Bolsonaro estava em casa, levantando insinuações sobre sua presença no cenário político. Guedes comparou os esforços dos filhos de Bolsonaro para limitar a atuação de Michelle a uma função simbólica, similar à de uma “primeira-dama de chá-beneficente”.

Por fim, o comentarista classificou o vídeo de Michelle como um “grito de independência”, evidenciando sua intenção de ter um papel ativo e influente no bolsonarismo, especialmente entre mulheres e o eleitorado evangélico.