Quando ocorrem secas extremas, os gramados mais secos obtêm os maiores benefícios em produtividade a partir da biodiversidade. Este é o principal achado de um estudo global que analisou 75 experimentos sobre biodiversidade, realizado por pesquisadores da Universidade Nacional de Yokohama e publicado na revista Nature Ecology & Evolution em 15 de julho.

A biodiversidade, embora tenha sido estudada por muito tempo, ainda apresenta nuances a serem exploradas. Enquanto pesquisas anteriores já estabeleceram sua importância para a produtividade dos ecossistemas, a eficácia da biodiversidade em contextos de extremos climáticos não era tão clara. Segundo Takehiro Sasaki, professor da Faculdade de Ciências Ambientais e de Informação da Universidade Nacional de Yokohama e autor principal do estudo, "nosso objetivo final é passar de uma visão ecológica ampla para uma base prática para a adaptação às mudanças climáticas".

Diferenciação na produtividade em gramados e florestas

Nos gramados mais áridos, a diversidade de plantas demonstrou ter o efeito positivo mais forte sobre a produtividade em anos de seca extrema. Esse efeito foi impulsionado principalmente pela maior complementaridade entre as espécies, que contribuíram de maneiras funcionalmente distintas e/ou mutuamente benéficas sob a limitação hídrica. Em gramados menos áridos, a seca foi associada a efeitos de seleção mais fortes, indicando uma contribuição maior de algumas espécies altamente produtivas.

Por outro lado, as florestas não apresentaram uma dependência comparável ao contexto sob seca extrema, embora isso não signifique que a biodiversidade seja irrelevante nesses ecossistemas. As condições de calor extremo também não mostraram mudanças claras nas dependências contextuais dos efeitos da biodiversidade entre diferentes tipos de ecossistemas ou gradientes de aridez.

Metodologia do estudo e implicações futuras

O estudo compilou dados de 75 experimentos de biodiversidade em gramados e florestas, abrangendo amplos gradientes climáticos e com durações que variaram de 2 a 23 anos. Esses dados foram vinculados a registros diários de precipitação e temperatura máxima, além de informações sobre aridez e solo. A análise buscou entender como a aridez e as condições do solo influenciam os efeitos da biodiversidade sob condições extremas de seca e calor.

Os resultados indicaram que os efeitos da biodiversidade sobre a produtividade foram mais pronunciados sob seca extrema em gramados secos, enquanto florestas não apresentaram dependência semelhante. Contudo, os pesquisadores ressaltam a necessidade de mais investigações para entender onde a biodiversidade terá o maior impacto em face de extremos climáticos.

Para aprofundar o conhecimento sobre a biodiversidade nas florestas, os pesquisadores planejam aumentar a duração dos estudos e desenvolver indicadores de seca mais sensíveis. Além disso, pretendem investigar se os efeitos da biodiversidade emergem mais lentamente em florestas do que em gramados.