O Brasil começou a formalizar sua primeira emissão de títulos públicos no mercado chinês, utilizando a moeda local, o yuan. Essa iniciativa, conhecida como Panda Bonds, faz parte de uma estratégia mais ampla de atrair investimentos internacionais para projetos de sustentabilidade e inovação.

Nesta quinta-feira (25), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, apresentou a Carta de Apresentação da República aos órgãos reguladores do mercado de capitais da China, marcando o início desse processo. Contudo, a emissão dos títulos ainda está sujeita à conclusão de procedimentos legais e operacionais, além das condições do mercado na data da oferta.

Oportunidade no mercado chinês

Os Panda Bonds são títulos emitidos no mercado doméstico da China por entidades estrangeiras, oferecendo remuneração em yuan. Segundo o Ministério da Fazenda, essa operação tem como objetivo ampliar a presença do Brasil nos mercados internacionais e minimizar a dependência de uma única fonte de financiamento. Além disso, a emissão poderá servir como referência para empresas brasileiras que buscam captar recursos no exterior.

O Plano Anual de Financiamento (PAF) para 2026 já contempla a possibilidade de operações em várias moedas. Recentemente, o Brasil concluiu uma emissão internacional em euros e agora se prepara para explorar o mercado chinês.

Foco em investimentos sustentáveis

Durante uma missão oficial à China, o governo também apresentou o programa Eco Invest Brasil, que visa mobilizar capital privado para projetos sustentáveis. A agenda inclui reuniões com investidores, bancos e empresas sobre finanças verdes, mercado de carbono e inovação tecnológica, com a expectativa de levantar até R$ 50 bilhões em investimentos.

Após a visita à China, a missão do Eco Invest Brasil seguirá para o Japão e a Coreia do Sul, com o intuito de estreitar laços com países que possuem forte capacidade tecnológica e financeira.

Mobilização para sustentabilidade

O Eco Invest Brasil, parte do Plano de Transformação Ecológica, já mobilizou mais de R$ 140 bilhões para iniciativas sustentáveis no país, com a expectativa de captar R$ 63 bilhões externamente. As principais áreas de foco incluem combustíveis verdes, fertilizantes sustentáveis, e descarbonização de processos produtivos.