Um estudo científico apresentado durante o VII Seminário Brasileiro de Terras Raras, realizado no Rio de Janeiro, indica que o Brasil possui recursos suficientes para ter uma participação significativa no mercado global de terras raras até 2040. Os dados foram divulgados na última quarta-feira, 1º de novembro.

Encomendado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o trabalho traz uma análise do cenário atual e futuro das terras raras no Brasil, destacando que o principal desafio enfrentado pelo país é desenvolver capacidades industriais, uma vez que o valor econômico desses elementos está nas etapas de refino e metalurgia.

Mapeamento e Diretrizes Estratégicas

A pesquisa, intitulada "Terras Raras no Brasil: Estado da Arte, Cenários e um Mapa do Caminho Estratégico para 2026 até 2040", não apenas mapeia as reservas minerais brasileiras, mas também traça um percurso estratégico que pode orientar políticas públicas, investimentos e desenvolvimento tecnológico ao longo dos próximos 15 anos.

O estudo foi elaborado pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) e representa uma atualização de uma pesquisa realizada em 2012. O papel estratégico da Amazônia é destacado, especialmente em relação à geologia de argilas de adsorção iônica, que pode sustentar a posição do Brasil nas cadeias globais de suprimentos.

A ministra do MCTI, Luciana Santos, comentou durante a abertura do evento que “o Brasil reúne algumas das maiores reservas minerais do planeta, tem uma base científica consolidada, instituições de excelência e recursos humanos altamente qualificados”.

Desafios e Oportunidades para o Brasil

O documento também questiona se, na próxima década, o Brasil se tornará um fornecedor de matérias-primas ou se participará ativamente da nova economia global. As terras raras brasileiras incluem 17 elementos químicos essenciais que são insumos vitais para tecnologias que sustentam a transição energética e a transformação digital.

Esses minerais são utilizados em diversas indústrias de alta tecnologia, incluindo veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos médicos, sistemas de defesa e eletrônicos avançados. A ministra ressalta que o estudo sugere formas de transformar os recursos naturais do país em capacidades industriais, tecnológicas e geopolíticas.

O crescimento da demanda mundial por terras raras é um fator relevante a ser considerado, já que esses elementos são fundamentais para o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis e inovações industriais.