BARCARENA, Brasil — A luz do sol penetra a densa folhagem amazônica enquanto Elene Elda Mota e seu marido, Giovanne, navegam em um pequeno barco motorizado por um estreito igarapé. Munidos de facões e cestos, desembarcam e adentram a floresta até chegarem a uma árvore repleta de vagens de cacau amarelas. Na região das várzeas do Pará, onde alguns rios amazônicos se encontram com o Oceano Atlântico, o cacau cresce em um sistema de agrofloresta natural.
“Nosso cacau é nativo”, afirma Elene. “Não plantamos nosso cacau, apenas o manejamos.” Protegido pela cobertura da floresta das várzeas, o cacau de Elene demonstra maior resistência a pragas como a vassoura de bruxa, um fungo que devastou lavouras brasileiras na década de 1980, e é menos suscetível aos impactos das mudanças climáticas, como secas e chuvas intensas.
Além de sua resistência, o cacau da região oferece uma ampla gama de sabores terrosos, frutados e ácidos, que Elene tem utilizado para criar uma crescente variedade de produtos artesanais de cacau e chocolate. Os nibs de cacau caramelizados são seus campeões de venda, e ela também produz barras de chocolate artesanais, cremes, outras pastas doces, além de pós e óleos de cacau.
Nos últimos anos, o estado do Pará, maior produtor de cacau do Brasil, tem se destacado como uma nova fronteira para o chocolate fino e artesanal. Assim como o vinho da Borgonha, na França, ou o café etíope, o conceito de terroir associado ao cacau paraense tem atraído a atenção de consumidores em busca de produtos sustentáveis e de alta qualidade.
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