O centro de detenção de imigração conhecido como 'Alligator Alcatraz' na Flórida, que se tornou um símbolo da política de deportação do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi oficialmente fechado após operar por menos de um ano. O anúncio foi feito na última quinta-feira pelo governador da Flórida, Ron DeSantis.

De acordo com DeSantis, a instalação localizada nos Everglades não abriga mais detentos e cumpriu o papel emergencial para o qual foi construída. O centro gerou intensas críticas de advogados, grupos de direitos civis e defensores dos direitos humanos, que alegaram que os detentos enfrentavam condições desumanas e a negação de um devido processo legal.

Construção e custos

O 'Alligator Alcatraz' foi erguido em apenas oito dias em junho do ano passado, com camas, gaiolas de arame e tendas brancas em um antigo aeroporto abandonado nos Everglades, região conhecida pela presença de jacarés. DeSantis afirmou que mais de 22 mil pessoas foram processadas ou preparadas para deportação através do centro.

O fechamento ocorre em um momento em que os últimos detentos foram transferidos para outras instalações ou deportados, com a justificativa de medidas de segurança relacionadas ao início da temporada de furacões. A operação do centro também foi criticada por seu alto custo, estimado em mais de US$ 1 bilhão, com o governo federal já aprovando centenas de milhões de dólares em reembolsos, embora a Flórida ainda não tenha recebido o pagamento integral.

Futuro do local

A prefeitura de Miami-Dade, liderada pela prefeita Daniella Levine Cava, está considerando transferir a propriedade do terreno para o Serviço Nacional de Parques ou outros parceiros de restauração dos Everglades. Levine Cava destacou a importância de proteger a área, que faz parte de um dos ecossistemas mais valiosos do mundo.

Críticos do centro, incluindo grupos ambientais e a Tribo Miccosukee, argumentaram que a construção prejudicou o frágil ecossistema dos Everglades e que as condições do centro violaram os direitos legais dos detentos. A prefeita reafirmou suas preocupações sobre as condições inaceitáveis enfrentadas pelos detentos desde o início das operações.