Adeniyi Adeyemi Matthew, autodenominado diretor-geral do suposto Conselho de Promoção de Investimentos Estrangeiros Presidenciais (PFIPC), foi preso no estado de Osun, na Nigéria, após semanas de fuga. Sua detenção ocorreu após a emissão de um mandado pela Justiça Federal, na capital Abuja, na última terça-feira, por não comparecer a uma audiência relacionada a acusações de forjamento e falsa identidade.

O caso ganhou destaque nacional após o presidente Bola Tinubu ordenar uma investigação sobre a agência fictícia na semana passada. Detalhes sobre a prisão de Adeyemi ainda são escassos, mas a polícia confirmou que a ação envolveu a Força de Inteligência e a Equipe de Resposta a Inteligência.

Repercussão do escândalo e investigações

A prisão de Adeyemi se deu em um contexto de crescente preocupação com a corrupção no governo. A investigação começou depois que um comunicado oficial que supostamente criava a PFIPC foi revelado como falso. A análise forense da polícia confirmou que a assinatura de Femi Gbajabiamila, chefe de gabinete do presidente, foi falsificada no documento de nomeação contestado.

O escândalo gerou apelos por uma investigação independente de grupos da sociedade civil, políticos da oposição e advogados renomados. Adeyemi, por sua vez, declarou sua inocência em entrevistas à mídia local, afirmando que sua vida estava em perigo e prometendo comparecer ao tribunal para limpar seu nome. No entanto, ele não se apresentou à audiência de terça-feira. Segundo seu advogado, Genesis Francis, Adeyemi temia por sua segurança e enviou uma carta aberta ao presidente Tinubu expressando essas preocupações.

Operações fraudulentas e alegações

Adeyemi alegou anteriormente que a PFIPC foi estabelecida em 2024 com o objetivo de atrair investimentos estrangeiros para a Nigéria. Contudo, não há registros de quaisquer negócios realizados pela agência. O portal BBC News Pidgin revelou que a agência havia conseguido um espaço de escritório dentro do Secretariado Federal, um complexo governamental em Abuja, e aberto contas no Banco Central da Nigéria, além de aparecer na Lei de Apropriação de 2026 com uma alocação de 1,3 bilhão de nairas (cerca de 950 mil dólares).

No entanto, o Escritório do Contador-Geral afirmou que a PFIPC nunca operou uma conta no banco central e não recebeu fundos ou salários públicos. Documentos judiciais indicam que Adeyemi e outros dois indivíduos são acusados de usar documentos oficiais falsificados para estabelecer e operar a agência, abrindo múltiplas contas bancárias em seu nome e buscando reconhecimento oficial para a entidade inexistente.