A gripe aviária H5, uma cepa letal do vírus, foi confirmada pela primeira vez no continente australiano. A ministra da Agricultura, Julie Collins, anunciou que um skua marrom encontrado doente na Austrália Ocidental faleceu devido ao vírus H5N1. Até o momento, cinco casos foram confirmados, sendo quatro na Austrália Ocidental e um na Austrália do Sul, todos em aves migratórias subantárticas.
Impactos e preocupações com a saúde animal
O H5N1 é classificado como um vírus “altamente patogênico”, o que significa que é altamente contagioso e pode causar doenças graves e mortes em aves. Dr. Ariful Islam, epidemiologista veterinário da Charles Sturt University, destaca que o vírus é considerado uma “panzoótica”, tendo se espalhado por vários continentes e afetado diversas espécies. Desde o seu surgimento em 2021, a gripe aviária H5 já infectou milhões de aves selvagens, impactando negativamente a indústria agrícola, especialmente a avicultura.
Segundo a Wildlife Health Australia, mais de 560 espécies de aves selvagens e mais de 100 tipos diferentes de mamíferos foram afetados pelo vírus. A cepa H5N1 começou na Ásia e se espalhou globalmente, chegando à Antártica durante o verão de 2023-24. Pesquisadores australianos estimam que o vírus chegou à Ilha Heard, um território australiano, em agosto de 2025, afetando focas e pinguins.
Possíveis consequências para a agricultura e saúde humana
O H5N1 apresenta diferenças significativas em relação ao H7, que causou surtos em granjas de aves na Austrália em 2024 e 2025, resultando na eutanásia de centenas de milhares de aves. Dr. Michelle Wille, especialista em vírus da gripe aviária, alerta que a cepa H5 teve impactos severos na indústria avícola em outras partes do mundo, com mais de 200 milhões de aves abatidas nos Estados Unidos desde a chegada do vírus.
Embora infecções em humanos sejam raras e geralmente leves, a Agência Australiana de Controle de Doenças ressalta que podem ocorrer casos graves. A infecção pode acontecer por meio da inalação de poeira contaminada ou contato com animais infectados. Até o momento, o risco à saúde pública na Austrália é considerado baixo, com a maioria dos casos humanos ocorrendo em pessoas que trabalham com aves infectadas.
Riscos para a fauna nativa e respostas governamentais
A comissária de espécies ameaçadas da Austrália, Dr. Fiona Fraser, afirma que, caso o H5N1 se estabeleça na fauna selvagem, será difícil conter sua propagação. As autoridades analisaram quais espécies de aves e mamíferos da Austrália estão mais vulneráveis, incluindo o diabo-da-tasmânia e o papagaio de barriga-laranja, em perigo crítico de extinção.
O Conselho de Espécies Invasoras considera a situação uma “emergência real da vida selvagem”, defendendo que investimentos de emergência são necessários para proteger as populações de animais. A Sociedade de Conservação Marinha da Austrália expressou preocupações de que a chegada da gripe aviária possa representar um risco de extinção para a foca-leão-australiana, que já está em perigo.
Os cidadãos são orientados a evitar contato com aves ou mamíferos marinhos doentes e a relatar avistamentos à linha direta de doenças animais de emergência.
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