Cientistas da Yale School of Medicine (YSM) descobriram que duas proteínas presentes na superfície de neurônios motores podem facilitar a propagação da proteína tóxica associada à doença de Parkinson. Esta descoberta pode abrir caminho para tratamentos que visem não apenas o manejo dos sintomas, mas também a desaceleração ou interrupção da progressão da doença.

A doença de Parkinson é um distúrbio neurológico progressivo que resulta na deterioração gradual e morte das células cerebrais. Uma característica central da doença é o acúmulo de uma proteína malformada chamada α-sinucleína. À medida que essa proteína tóxica se move de um neurônio para outro, contribui para a piora dos sintomas ao longo do tempo.

Novas Perspectivas sobre a Progressão da Doença de Parkinson

Até o momento, os cientistas não compreendiam completamente como a α-sinucleína adentra neurônios saudáveis após escapar de células que estão morrendo. Um estudo recente publicado na revista Nature Communications aponta que as proteínas de membrana mGluR4 e NPDC1 são transportadores críticos que ajudam a levar a proteína malformada para dentro das células cerebrais saudáveis.

O autor sênior do estudo, Stephen Strittmatter, MD, PhD, professor de neurologia e chefe do Departamento de Neurociência da YSM, afirma que as descobertas podem levar a maneiras mais eficazes de combater a doença de Parkinson. Ele destaca que, ao entender como a α-sinucleína entra nos neurônios, pode-se desenvolver estratégias para bloquear ou retardar a progressão da doença.

Investigando a Entrada da α-Sinucleína nas Células Cerebrais

Doenças neurodegenerativas, como Parkinson e Alzheimer, estão se tornando um desafio crescente de saúde pública nos Estados Unidos. Segundo a Parkinson's Foundation, cerca de 1,1 milhão de americanos vivem com a doença de Parkinson, com quase 90.000 novos casos diagnosticados anualmente.

Os sintomas mais comuns da doença incluem tremores, problemas de equilíbrio e movimentos mais lentos, que se desenvolvem à medida que a α-sinucleína malformada se acumula nos neurônios motores. A pesquisa inicial indicava que a α-sinucleína poderia entrar em células saudáveis ao se ligar a proteínas na superfície celular. Para investigar, Strittmatter e sua equipe criaram 4.400 grupos de células, cada um projetado para exibir uma proteína de superfície diferente, e testaram a interação com a α-sinucleína.

A maioria das células não apresentou interação, mas 16 proteínas de superfície se ligaram à proteína tóxica. Entre elas, mGluR4 e NPDC1, encontradas em neurônios produtores de dopamina na substância negra, região do cérebro mais afetada pela doença de Parkinson. Os pesquisadores descobriram que essas proteínas transportavam a α-sinucleína malformada para dentro das células.

Bloqueando a Propagação da Doença de Parkinson

A equipe também examinou se essas proteínas eram responsáveis por facilitar a movimentação da α-sinucleína entre neurônios. Eles modificaram geneticamente camundongos para que as proteínas mGluR4 ou NPDC1 não funcionassem, expondo os animais à α-sinucleína malformada. Camundongos normais desenvolveram acúmulos da proteína tóxica e apresentaram sintomas semelhantes aos da doença de Parkinson, enquanto os camundongos sem as proteínas funcionais não mostraram esses efeitos.

Essas descobertas sugerem que mGluR4 e NPDC1 atuam em conjunto para transportar a α-sinucleína malformada para os neurônios, pelo menos em camundongos. Strittmatter observa que esse mecanismo representa uma potencial nova abordagem para terapias futuras, uma vez que os tratamentos existentes se concentram principalmente em gerenciar os sintomas e não em desacelerar a progressão da doença.

A necessidade de terapias que desacelerem a doença deve aumentar nos próximos anos, especialmente com o envelhecimento da população. A projeção é que o número de americanos com mais de 65 anos cresça significativamente nas próximas décadas, aumentando a população em risco. “Como podemos impedir ou retardar a morte dos neurônios é um enorme problema”, conclui Strittmatter.