Esporte: conheça história de Nariz, uberabense que jogou a Copa do Mundo Os médicos da seleção brasileira têm tido trabalho para tratar os jogadores lesionados na Copa do Mundo - Raphinha e Lucas Paquetá correm contra o tempo para ficarem à disposição de Carlo Ancelotti. Se hoje a tecnologia está a favor do departamento médico, a estrutura era bem diferente no começo do século passado, quando o Brasil chegou a ter um zagueiro como "doutor" do elenco. + Chef faz sucesso ao recriar rostos de jogadores da seleção brasileira em frutas + Ex-jogador tatua nome de Neymar no rosto e promete: "Se o Brasil ganhar, tatuo ele segurando a taça" Álvaro Lopes Cançado, conhecido como Nariz, foi convocado para a Copa do Mundo de 1938.
Além de suar a camisa como zagueiro, o jogador aproveitou a graduação em Medicina e examinou os companheiros durante a melhor campanha da Seleção em Mundiais até então. Anos depois, ele se tornou um dos pioneiros da medicina esportiva no Brasil. Nariz, zagueiro do Botafogo e da Seleção Brasileira em 1938 Reprodução/TV Integração "Zagueiro-médico" Nascido em Uberaba, no Triângulo Mineiro, Nariz deu os primeiros passos no futebol em Juiz de Fora, onde jogou pelo time amador do Granbery e nos profissionais do Tupi.
Após se destacar em um campeonato universitário na Zona da Mata, o zagueiro chamou a atenção do Atlético-MG, que o contratou aos 19 anos. Pelo Galo, o atleta foi bicampeão mineiro em 1931 e 1932. Um ano depois do segundo título, Álvaro se transferiu para o Botafogo e também venceu o estadual duas vezes, em 1934 e 1935.
Enquanto morava no Rio de Janeiro, ele se formou na Faculdade Fluminense de Medicina, em Niterói, em 1936. Um ano depois, disputou o Campeonato Sul-Americano pela Seleção Brasileira e atuou em três partidas. Com as boas atuações, foi convocado por Ademir Pimenta para o Mundial de 1938, na França, e fez valer a formação acadêmica: acumulou as funções de zagueiro e de médico na delegação brasileira.
Seleção brasileira em campo contra a Polônia na Copa de 1938 Fifa/Divulgação A Copa de 1938 foi disputada no sistema de mata-mata desde o início. Após eliminar a Polônia nas oitavas, o Brasil encarou a Tchecoslováquia na quartas em um dos jogos mais violentos na história das Copas. O placar de 1 a 1 em Bordeaux não inclui as dezenas de pancadas distribuídas por ambos os lados.
O goleiro tcheco Planicka chegou a atuar por 30 minutos com a clavícula quebrada, pois não eram permitidas substituições. Dois brasileiros e um europeu foram expulsos do campo - na época, o cartão vermelho ainda não existia. Depois do jogo, entrou em ação o "zagueiro-médico".
Nariz examinou os companheiros e verificou que nenhum deles teve lesão grave. Mesmo assim, o treinador Ademir Pimenta preferiu escalar o time reserva para o jogo-desempate contra a própria Tchecoslováquia, dois dias depois. Apenas Leônidas foi mantido na escalação.
Jornal O Globo de 14 de junho de 1938 mostra que Nariz trabalhou como médico ad delegação O Globo/Acervo Com isso, foi a vez de Nariz entrar em campo para o único jogo dele em Copas, e logo como capitão do time. Em duelo bem mais "pacífico", o Brasil venceu por 2 a 1 e chegou à semifinal.
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