O mercado pet na China tem mostrado um crescimento significativo, refletindo uma nova dinâmica nas relações entre os chineses e seus animais de estimação. Em Xangai, uma ilha foi criada especialmente para cães e seus tutores, oferecendo diversas atividades, como provas com obstáculos, corridas de barco e um restaurante dedicado aos pets.

Os tutores podem levar seus cães para um final de semana em cabanas disponíveis na ilha, onde os animais participam de brincadeiras e recebem carimbos que podem ser trocados por brindes. Uma frequentadora do espaço comentou: "Eu vi pela primeira vez na internet. Meus cachorros adoram, ficam bem confortáveis".

Restaurante Pet-Friendly com Culinária Francesa

Após as atividades, os cães têm a oportunidade de saborear pratos em um restaurante que oferece um cardápio inspirado na culinária francesa, com opções que incluem tartar de atum e sobremesas como petit gateau feito de iogurte. O chef responsável pelo local destaca que os pratos são elaborados sem sal e açúcar, utilizando apenas um pouco de mel nas sobremesas.

Transformações na Relação com os Animais

A relação dos chineses com os cães é histórica, com raças como o chow-chow e o pequinês tendo raízes profundas na cultura do país. Entretanto, a percepção sobre os pets mudou ao longo do tempo, especialmente após a Revolução Comunista, quando os animais passaram a ser vistos como símbolos da burguesia. Nos últimos anos, o mercado de animais de estimação se expandiu, triplicando seu tamanho e movimentando cerca de R$ 240 bilhões por ano.

A veterinária Gu Yongmei, que antes trabalhava com animais de grande porte, relata como a mudança nas preferências da população a fez atuar com pets. "Na minha época, era o Estado que escolhia a profissão. Me colocaram em Medicina Veterinária. Comecei a trabalhar com animais grandes, mas a China mudou", afirma.

O novo perfil familiar, com menos filhos e mais animais, tem influenciado a forma como as pessoas se relacionam com seus pets. Caroline Zhang, uma tutora, compartilha que adotou sua cachorra em 2012, após encontrá-la amarrada em uma árvore. "Meus cachorros são meus bebês", diz.

Eric Xiang, um empresário, também considera seu cachorro parte da família e gasta cerca de R$ 4 mil por mês com ele, que participa até de desfiles de moda. "Este aqui é o meu filho. Acho que, hoje em dia, as pessoas querem que os cães sejam cada vez mais parecidos com a gente", afirma.

A veterinária Gu Yongmei conclui que a melhora nas condições de vida na China impactou a maneira como os cidadãos enxergam seus animais de estimação, que agora são tratados como membros da família.