A advogada e cientista política Gabriela Rollemberg criticou a sub-representação feminina na política brasileira durante uma entrevista realizada na quinta-feira, 16 de julho de 2026. Embora as mulheres representem 52% do eleitorado no Brasil, sua presença no Congresso é alarmantemente baixa, com apenas 17,7% das cadeiras ocupadas por mulheres, o que demonstra um sério déficit democrático.
“Nossa democracia hoje não é uma verdadeira democracia, não é uma democracia real, porque exclui mais da metade da sua população”, afirmou Rollemberg, que lidera o projeto Quero Ser Eleita, um laboratório de inovação política voltado para apoiar candidaturas femininas.
O PESO DO VOTO FEMININO E AS ELEIÇÕES DE 2026
Durante a entrevista, Rollemberg analisou dados recentes da pesquisa PoderData/Aya e destacou as diferenças no comportamento de eleitores homens e mulheres, especialmente em um possível segundo turno entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro. Enquanto os homens tendem a apoiar Flávio (48% contra 43% para Lula), as mulheres mostram uma preferência mais consolidada pelo candidato petista (48% contra 39% para Flávio).
A especialista elencou fatores que, segundo ela, explicam o distanciamento e dificultam o avanço feminino na política:
- ausência inédita de candidatas – Rollemberg mencionou que esta é a primeira eleição em 20 anos sem mulheres disputando diretamente a Presidência da República;
- anistias partidárias – Ela criticou as anistias aprovadas pelo Congresso e referendadas pelo STF a partidos que não cumprem com o repasse de recursos para campanhas de mulheres e negros, afirmando: “As ações afirmativas não são cumpridas no Brasil e por isso temos um resultado que é muito vergonhoso: somos o último país da América Latina em representação política feminina.”;
- violência de gênero na política – Rollemberg afirmou que as agressões no meio partidário afetam mulheres tanto na esquerda quanto na direita, ressaltando: “Toda mulher que se lança no desafio da política coloca em risco a sua própria existência.”;
- economia do cuidado – Ela defendeu que pautas como o direito à creche e à educação integral devem ser prioridades nos planos de governo, dizendo: “Ninguém mais pode criar filhos como se não trabalhasse, trabalhar como se não tivéssemos filhos.”
UNIÃO CONTRA A POLARIZAÇÃO
Mesmo em um cenário eleitoral polarizado, Rollemberg acredita que as mulheres podem ser a força capaz de promover um pacto de pacificação pela sociedade. O movimento que lidera, a Carta das Mulheres para a Política, busca dialogar com os candidatos à Presidência e pressioná-los a incluir as demandas femininas de forma estrutural em suas propostas e orçamentos.
🎧 PODERDATACAST
O episódio da entrevista marcou a estreia da nova temporada do PoderDataCast, um podcast do Poder360 focado no debate sobre pesquisas eleitorais e de opinião pública. O programa será transmitido ao vivo todas as quintas-feiras, às 18h30, no canal do Poder360 no YouTube.
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