Uma equipe internacional de pesquisadores desvendou um mistério que perdurava por décadas, revelando as estruturas atômicas das moléculas em nossos olhos responsáveis pela percepção de cores. "Para entender como detectamos a luz e percebemos as cores, precisamos conhecer a estrutura exata das moléculas sensíveis à luz em nossos olhos", afirmou o professor Emérito Trevor Lamb, da Australian National University (ANU).

A percepção de cores é determinada principalmente pela excitação relativa das células cone fotoreceptoras sensíveis ao vermelho, verde e azul, que contêm essas moléculas. O estudo, publicado na revista Science, envolveu cientistas de instituições de pesquisa da China, Alemanha e Austrália.

No John Curtin School of Medical Research da ANU, Lamb teve um papel fundamental na interpretação da função dessas moléculas no olho. Existem três versões das moléculas, conhecidas como opsinas cone, cada uma convertendo luz vermelha, verde ou azul em sinais químicos.

"Revelar as estruturas atômicas de cada uma das moléculas em seu estado ativado pela luz mostra como elas funcionam nas células cone para disparar sinais que são enviados ao cérebro", explicou Lamb. Segundo ele, as diferenças fundamentais entre as opsinas cone quando ativadas pela luz foram reveladas pelos resultados.

Implicações da pesquisa

Assim como uma câmera com alta velocidade de obturação captura imagens mais nítidas, a presença de moléculas detectores de cor nos olhos que ativam e desativam rapidamente permite que vejamos detalhes nítidos e cores em movimento durante o dia.

As três opsinas cone contêm a mesma molécula sensível à luz, derivada da vitamina A, mas se ligam ao retinaldeído de maneira diferente. "Nosso estudo fornece uma compreensão molecular de como cada opsina cone interage com o retinaldeído para ajustá-lo a diferentes comprimentos de onda de luz", disse Lamb.

A estrutura da molécula do pigmento de bastonete, que usamos para visão em baixa luminosidade, foi decifrada há décadas. No entanto, só agora, com o acesso a novas técnicas de microscopia, os pesquisadores conseguiram descobrir a estrutura das moléculas responsáveis pela detecção de cores.

A longo prazo, essa descoberta pode auxiliar cientistas na busca por tratamentos para distúrbios visuais, como distrofias cone e alterações na visão de cores. "Em muitos casos, os distúrbios na visão cone resultam de problemas com as opsinas cone", concluiu Lamb.