Simon Andriesz, um ex-diretor de uma firma de Wall Street, revelou ao BBC como descobriu evidências que indicam que Howard Lutnick, atual secretário de Comércio dos EUA, não informou sobre um relacionamento comercial com o financista Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais.
Andriesz encontrou uma troca de e-mails de 2018, onde Lutnick e Epstein discutiam as perspectivas de uma startup em que ambos estavam envolvidos. O ex-funcionário compartilhou suas descobertas, provenientes de milhões de documentos liberados sobre Epstein, com políticos do influente Comitê de Supervisão da Câmara dos EUA, antes de uma aparição de Lutnick em maio.
Acusações e desdobramentos
Durante sua apresentação ao comitê, Lutnick afirmou que, até onde sabia, só ficou sabendo em 2023 que Epstein havia sido investidor em sua empresa. O Departamento de Comércio dos EUA declarou que não havia evidências de irregularidades por parte de Lutnick.
Além disso, Andriesz descobriu que uma das empresas de Lutnick planejou, em 2013, uma parceria com o então príncipe Andrew, aproveitando os contatos que ele havia feito como enviado comercial do Reino Unido. O ex-diretor descreveu a proposta como um empréstimo de £1 milhão para o príncipe, insinuando que era uma forma de "comprar um príncipe".
Repercussões e investigações
Ao revisar 3,5 milhões de documentos relacionados a Epstein, Andriesz ficou surpreso ao encontrar seu próprio nome nos arquivos, que continham informações sobre entrevistas que ele havia dado ao FBI em meio a disputas com sua antiga empresa, BGC Partners. Andriesz havia levantado preocupações sobre irregularidades contábeis na BGC, resultando em sua demissão em 2017 e, posteriormente, em uma multa de $3 milhões imposta à empresa por violações de supervisão.
Embora Andriesz tenha falado com o FBI sobre Lutnick em 2020-2021, suas acusações de vínculos não declarados com Epstein não foram investigadas. Ele expressou sua decepção com a falta de interesse em suas descobertas, afirmando: "Estou expondo o relacionamento de Howard Lutnick com Jeffrey Epstein, e não há interesse".
Em 2025, Lutnick foi nomeado secretário de Comércio dos EUA e, nesse período, vendeu suas ações na Cantor Fitzgerald, passando o controle da firma para seus filhos. Em um podcast, ele alegou ter encontrado Epstein apenas uma vez, há 20 anos, e que considerou seu comportamento "repugnante".
Entretanto, a liberação dos arquivos de Epstein trouxe inconsistências a essa narrativa, incluindo uma foto de Lutnick com Epstein na ilha caribenha de Little St James em dezembro de 2012. Lutnick insistiu em sua inocência e condenou as ações de Epstein, mas os democratas do comitê o acusaram de mentir, levando a uma carta coletiva pedindo sua renúncia.
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