Os programas do governo Luiz Inácio Lula da Silva voltados à economia popular têm sido fundamentais para impulsionar a aprovação da gestão petista, especialmente com a proximidade da campanha pela reeleição. A pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (15), revelou que a aprovação do governo atingiu 48%, o que representa o melhor resultado desde o final de 2024. O índice de desaprovação ficou em 47%, enquanto 5% dos entrevistados não souberam ou preferiram não responder. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais.

A aprovação do governo já apresentava uma tendência de crescimento desde abril, com uma variação de cinco pontos percentuais nesse período. Felipe Nunes, diretor da Quaest e professor da FGV, destacou que essa melhora se deve ao fato de o governo estar entregando resultados a um eleitorado específico. "Estamos falando de redução do endividamento por meio do Desenrola, expectativa de melhor condição de trabalho com a discussão da escala 6×1 e um aumento no padrão de vida, considerando a melhora marginal por conta do aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda", afirmou Nunes.

Impacto nas percepções econômicas

Nunes também observou que as iniciativas do governo têm sensibilizado especialmente os eleitores independentes, que não se identificam nem com o espectro bolsonarista nem com o lulista. Segundo ele, a discussão sobre as medidas é mais pragmática do que ideológica. A pesquisa Datafolha realizada em junho corroborou essa percepção, mostrando que a proporção de brasileiros pessimistas em relação à economia diminuiu de 35% para 26%.

A percepção positiva em relação ao programa Desenrola, lançado em maio, e os estímulos econômicos em um ano eleitoral, além da proximidade da Copa do Mundo, foram apontados como fatores que contribuíram para essa melhora.

Aprovação entre diferentes grupos

Embora a pesquisa Quaest não mostre uma melhora expressiva em nenhum segmento específico, Nunes destacou pequenas oscilações positivas em diversos deles. A aprovação entre os jovens, por exemplo, aumentou em decorrência da discussão sobre a escala 6×1, que despertou grande interesse. Além disso, houve uma recuperação de popularidade entre homens e mulheres, em parte devido ao programa Desenrola Brasil.

Quando questionados sobre a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000, 32% dos entrevistados afirmaram ter se beneficiado da medida, com uma redução de 50% para 39% entre aqueles que não sentiram diferença. A reforma do Imposto de Renda, implementada no início do ano, também incluiu um desconto para contribuintes com rendas mensais entre R$ 5.000 e R$ 7.350.

Com relação ao Novo Desenrola, 55% dos entrevistados consideraram o programa uma boa ideia, um aumento em relação aos 50% registrados em maio. O percentual de pessoas endividadas diminuiu de 28% para 21%, enquanto 31% afirmaram não ter dívidas.

A discussão sobre a escala 6×1 também se mostrou relevante, com 69% dos entrevistados a favor da redução da jornada de trabalho. A proposta aguarda aprovação no Senado após ter sido aprovada pela Câmara em maio.

Em um cenário de segundo turno, Lula lidera com 45% das intenções de voto contra 37% de Flávio Bolsonaro. Essa diferença é atribuída a erros na campanha do adversário e indica uma mudança nas intenções do eleitorado, que busca alternativas a Flávio Bolsonaro.