Nikita Zvezdov, um jovem russo de 19 anos, relata sua experiência como desertor do exército russo, iniciada após a invasão em larga escala da Ucrânia em fevereiro de 2022. Após ser convocado ao serviço militar em abril de 2024, Zvezdov enfrentou uma série de pressões e abusos dentro da unidade militar 25573, localizada perto de Ussuriysk.
Ele descreve um ambiente hostil, onde oficiais pressionavam os conscritos a assinarem contratos de serviço mais longos, e onde práticas de violência, como agressões físicas e humilhações, eram comuns. "Prometi a mim mesmo e aos meus familiares que não assinaria um contrato para o conflito", afirmou Zvezdov, que nunca desejou lutar contra a Ucrânia.
Fuga para a Europa
Após um mês sob pressão para se comprometer, Zvezdov percebeu que sua única opção era fugir. Ele pediu licença, alegando necessidade de se preparar antes de ser enviado para áreas de combate em Melitopol, onde a taxa de baixas era alta. Em vez de se apresentar, ele conseguiu escapar para a Armênia, e, posteriormente, viajou para a Croácia, onde solicitou asilo político.
Em dezembro de 2025, Zvezdov chegou à Alemanha, onde novamente pediu asilo. Contudo, as autoridades alemãs rejeitaram seu pedido devido à regra de Dublin, que determina que o país de entrada é responsável pelo processamento do pedido de asilo. Assim, a Alemanha planejava devolvê-lo à Croácia.
Desafios e proteção incerta
Ativistas de direitos humanos afirmam que desertores russos enfrentam grandes dificuldades para conseguir asilo na Alemanha, apesar de declarações anteriores do governo sobre a proteção a desertores e objetores de consciência. Alexey Kozlov, da organização Solidarus, explicou que muitos pedidos têm sido negados sob a justificativa de que os desertores não enfrentam risco real de perseguição ao retornarem à Rússia.
Relatos de abusos e detenções ilegais de desertores têm surgido, com a mídia identificando centros de detenção improvisados onde soldados são torturados. O ex-soldado que compartilhou sua experiência revelou que muitos foram mortos após se recusarem a lutar.
Após a negativa de asilo, Zvezdov conseguiu abrigo em uma igreja, onde o asilo e a revisão de seu caso foram temporariamente garantidos. Ele agora vive em uma paróquia na Alemanha, mas aguarda ansiosamente o fim de julho, quando a responsabilidade por seu pedido de asilo retornará às autoridades alemãs.
Se o pedido for novamente negado, Zvezdov considera a possibilidade de buscar refúgio em um país fora da União Europeia, já que retornar à Rússia não é uma opção viável para ele.
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