Publicações nas redes sociais afirmam que o Programa de Investigação de Aurora Ativa de Alta Frequência (HAARP), da Universidade do Alasca Fairbanks, teria sido responsável pelo recente terremoto na Venezuela. Essa informação é falsa.
Os posts, que já acumularam mais de 3 milhões de visualizações, mostram vídeos de um céu avermelhado em Caracas e La Guaira, cidades afetadas pelo terremoto de 24 de junho. As legendas insinuam que as anomalias no céu seriam provas do uso do HAARP para causar os tremores. Exemplos incluem: "As luzes que aparecem sobre as montanhas geram a suspeita de que se utilizou o H.A.A.R.P para provocar os terremotos na Venezuela" e "O céu ficou vermelho durante o dia do terremoto na Venezuela".
Causas reais do terremoto
O professor Micael Cecchini, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG/USP), desmentiu a suposta relação entre o HAARP e o terremoto. Segundo ele, "o HAARP não tem capacidade nenhuma de gerar terremotos, mesmo porque ele é só uma onda eletromagnética, tipo a luz". Ele ressaltou que essa tecnologia não tem efeito sobre o clima e não influencia a ocorrência de chuvas.
No dia 24 de junho, a Venezuela foi atingida por dois terremotos consecutivos, com magnitudes de 7,2 e 7,5, que resultaram em mais de 4 mil mortes, conforme balanço divulgado em 10 de julho. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) atribuiu os tremores ao movimento das placas tectônicas do Caribe e da América do Sul. O relatório do USGS descreve que "os terremotos ocorreram devido a uma falha transcorrente rasa perto do limite entre as placas do Caribe e da América do Sul".
Esclarecimentos sobre os fenômenos observados
O HAARP, segundo seu site oficial, é um projeto científico que estuda a ionosfera, uma camada da atmosfera que se estende de 80 a 640 quilômetros acima da Terra. O professor Cecchini explica que o HAARP atua como um radar, emitindo ondas eletromagnéticas que interagem com as moléculas da ionosfera, permitindo entender como a radiação solar afeta as comunicações de rádio.
Quanto ao céu avermelhado observado após os terremotos, Cecchini esclarece que esse fenômeno é conhecido como espalhamento de Rayleigh, relacionado ao aumento de partículas de poeira na atmosfera. Ele afirma que "o terremoto acaba levantando muita poeira, que aumenta o espalhamento da luz vermelha". Embora o céu avermelhado não seja causado diretamente pelo terremoto, ele pode ser uma consequência indireta.
Os lampejos de luz observados após os tremores podem ter origem na fricção das placas tectônicas, segundo o professor. Essa eletrização momentânea do ar pode resultar em luzes de diferentes cores, um fenômeno incomum, mas que pode ocorrer durante sismos.
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