Djalba Lima

De Brasília

O conceito de que os militares governaram com eficiência a economia brasileira é uma ideia persistente na memória nacional, frequentemente mencionada em conversas cotidianas, redes sociais e discursos políticos. Essa crença é frequentemente acompanhada pela afirmação de que "naquele tempo o Brasil crescia".

Embora essa afirmação contenha um fundo de verdade, ela representa apenas uma parte da história. A avaliação de um governo deve considerar não apenas os anos de crescimento, mas também o ciclo completo de suas políticas, incluindo seus mecanismos e o legado deixado ao final.

O milagre econômico

O chamado "milagre econômico" brasileiro ocorreu entre 1968 e 1973, quando a economia cresceu a taxas superiores a 10% do Produto Interno Bruto em alguns anos. Durante esse período, o país viu a construção de rodovias, a inauguração de hidrelétricas e grandes obras que simbolizavam a modernização, criando a imagem de um Brasil em ascensão.

No entanto, atribuir esses resultados exclusivamente à competência do regime militar ignora as condições excepcionais que facilitaram esse crescimento, além de desconsiderar quem arcaría com os custos desse modelo.

O crescimento do Brasil não ocorreu isoladamente; ele foi impulsionado por um período de prosperidade global nos anos 1950 e 1960, marcado pela reconstrução da Europa e pelo crescimento industrial do Japão e da Coreia do Sul. O acesso a crédito internacional, especialmente através dos petrodólares, permitiu que o Brasil se beneficiasse desse cenário favorável.

A estratégia do regime militar envolveu um intenso endividamento externo, que possibilitou o financiamento de grandes investimentos públicos e infraestrutura. Contudo, essa abordagem gerou uma fragilidade estrutural, já que o crescimento dependia de fatores fora do controle brasileiro.

Choque do petróleo em 1973

O primeiro choque do petróleo, em 1973, começou a evidenciar as dificuldades econômicas, enquanto o segundo, em 1979, acentuou a crise. A elevação das taxas de juros nos Estados Unidos, sob a liderança de Paul Volcker, tornou a dívida externa brasileira insustentável.

Esse cenário pode ser comparado a uma família que, ao obter crédito fácil, aparenta prosperidade, mas enfrenta dificuldades quando os juros aumentam. O "milagre" econômico não acabou porque o país perdeu sua capacidade de produzir riqueza, mas porque o modelo de crescimento se tornou insustentável.

Quando o general João Figueiredo assumiu a presidência em 1979, ele herdou uma economia endividada e vulnerável às oscilações do mercado internacional. A inflação já elevada em 1979 superaria 215% ao ano em 1984, enquanto a dívida externa dobraria, resultando em um recuo significativo no PIB e levando o país a negociar com o Fundo Monetário Internacional.

Além disso, o crescimento econômico durante a ditadura não beneficiou igualmente todos os brasileiros. A contenção salarial, resultante de repressão aos sindicatos e controle das negociações coletivas, levou a uma diminuição da participação dos salários na renda nacional, enriquecendo o país sem uma distribuição equitativa da riqueza.