Comemorado em 10 de agosto, o Dia da Pizza revela um paradoxo na economia brasileira: enquanto o país registra a abertura de 13 novas pizzarias diariamente, o preço da pizza tem se tornado cada vez mais oneroso para o orçamento das famílias. Essa realidade é evidenciada pelo Índice Mozarela, criado pela Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo (Fatec), que analisa o poder de compra das famílias paulistanas.

O índice, que calcula quantas pizzas de muçarela — o sabor mais popular e acessível — podem ser adquiridas com a renda média familiar em diferentes distritos de São Paulo, mostra que, em 2021, metade das regiões da cidade conseguia comprar pelo menos 131 pizzas por mês. Em 2025, esse número caiu para 120.

Impacto dos preços e desigualdade no consumo

Embora o estudo se concentre na capital paulista, ele reflete a situação do mercado de pizzas no Brasil, já que São Paulo é considerada a capital nacional da pizza. O aumento nos preços das pizzas, impulsionado principalmente pela elevação de quase 40% no custo da muçarela entre 2021 e 2025, contrasta com a estagnação nos rendimentos trabalhistas, segundo Rodolfo Ribeiro, um dos pesquisadores do Índice Mozarela.

“Vivemos um período de baixo crescimento econômico, e isso acaba pressionando o orçamento das famílias, principalmente as de menor renda”, destaca Ribeiro.

As disparidades na capacidade de compra são notórias entre os bairros. Por exemplo, em Alto de Pinheiros, a renda média permite a compra de 313 pizzas por mês, enquanto em Anhanguera esse número cai para 73. A variação nos preços também é significativa: regiões como Pinheiros e Moema apresentam medianas de R$ 102,59 e R$ 95,53, enquanto bairros como Pedreira e Vila Jacuí têm preços médios de R$ 39,74 e R$ 40,93.

Crescimento do setor e novas oportunidades

Apesar da diminuição do poder de compra das famílias, o mercado de pizzarias no Brasil continua a se expandir. Em 2025, o país contabilizava 40.332 pizzarias, um aumento de 10,29% em relação ao ano anterior, e o menor número de fechamentos em uma década, com 2.969 empresas encerrando atividades, uma redução de 43,8% em comparação a 2024.

Nos primeiros cinco meses de 2026, 1.990 novas pizzarias foram abertas, representando um crescimento de 6,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. Isso equivale a uma nova pizzaria inaugurada a cada duas horas. Segundo Gustavo Cardamoni, presidente da Associação Pizzarias Unidas (Apubra), esses números demonstram que o setor continua a atrair empreendedores, mesmo em um cenário econômico desafiador.

Além disso, o crescimento não se limita apenas aos grandes centros urbanos. Embora o Sudeste concentre 51% das pizzarias, cerca de 75% das novas unidades abertas em 2026 estão fora de São Paulo, com destaque para o Norte e Nordeste, que lideram o crescimento proporcional.

De acordo com Cardamoni, essa tendência deve continuar, acompanhada por um aumento na profissionalização dos empresários do setor, enfatizando a importância de uma gestão eficiente e um profundo entendimento do mercado local.