Nesta terça-feira, 30, o planeta celebra o Dia Internacional do Asteroide, data estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2016 com o propósito de ampliar a conscientização pública sobre os riscos de impactos cósmicos e, ao mesmo tempo, revelar o papel desses corpos celestes como guardiões de informações sobre os estágios iniciais do Sistema Solar e a entrega de materiais orgânicos à Terra. A escolha do dia remete ao maior impacto já registrado na história moderna: a queda do asteroide que devastou milhares de quilômetros quadrados em Tunguska, na Sibéria, em 30 de junho de 1908, provocando um terremoto de 5 graus na escala Richter. Enquanto a campanha global Asteroid Day, liderada pela Asteroid Foundation, mobiliza entusiastas e especialistas, um registro raro feito diretamente de Goiânia conectou o centro do Brasil a essa discussão planetária, e trouxe, em primeira mão, uma novidade que projeta 2029 como um ano histórico para a defesa da Terra.

O protagonista goiano desse feito foi o astrofotógrafo Pedro Augusto, colaborador do Instituto de Astronomia Plêiades do Sul. Da própria casa, na capital, ele montou o telescópio e mirou o asteroide 1997 NC1, que no último sábado, 27, atingiu sua máxima aproximação com a Terra. “Fazer esse registro foi uma experiência excelente, porque eu pude capturar ali uma rocha que estava no momento do registro e que agora já está se distanciando da Terra, mas naquele momento era o momento que ela estava mais próximo da Terra possível”, conta Pedro Augusto, em entrevista ao Jornal Opção .  Vídeo em time lapse que registra ele se movimentando em meio ao mar de estrelas do espaço | Vídeo: Pedro Augusto A dedicação técnica por trás do clique exigiu planejamento minucioso.

Pedro precisou calcular coordenadas, inserir os dados na montagem computadorizada do telescópio e programar o rastreamento exato do objeto. O resultado entregou não apenas um vídeo em que o asteroide se desloca contra um fundo estrelado, mas também uma foto que ganhou dramaticidade por um detalhe ao acaso.  “No momento do registro aconteceu de cair um meteoro, é um fenômeno que é desconectado do asteroide, não tem nada a ver, mas que adicionou uma beleza a mais no registro, que você tem até ali a trilha marrom de ionização”, descreve o astrofotógrafo. A chamada trilha de ionização do meteoro, formada quando ele ioniza os gases atmosféricos, se inscreveu no quadro como uma assinatura luminosa, tornando o registro goiano um dos únicos feitos a partir de Goiás e um documento visual singular da passagem do 1997 NC1.

Pedro Augusto | Foto: Arquivo pessoal O diretor do Plêiades do Sul, Ary Martins, contextualiza que a observação do asteroide foi se tornando progressivamente favorável à medida que ele migrava no céu. “A partir do momento que ele foi para o Ophiuchus, é uma constelação que fica mais próxima, que fica ali já na região do Equador Celeste, ele já fica mais alto no céu, então ele já ganha um ângulo de visibilidade legal para todo mundo aqui no Brasil”, explica Ary.  Segundo ele, o objeto transita na faixa de tamanho típica de um asteroide (entre 550 metros e 1650 metros), dimensão relevante ainda que distante dos extintos gigantes de mil quilômetros de diâmetro, como Ceres, reclassificado como planeta anão em 2006.