A direita sul-americana consolidou sua presença política com a iminente vitória de Keiko Fujimori (Fuerza Popular) no Peru e a recente eleição de Abelardo de la Espriella (Defensores de la Patria) na Colômbia. Com essas mudanças, a direita passará a governar sete países na região. Entretanto, os líderes de esquerda ainda administram as nações responsáveis por 54,6% do Produto Interno Bruto (PIB) do continente, que totaliza aproximadamente US$ 2,4 trilhões.

Em contrapartida, os governos de direita controlam países que somam US$ 2,2 trilhões, representando 45,4% do PIB da América do Sul. A população dos países governados pela direita é de cerca de 191,7 milhões, enquanto o Brasil, com 212,8 milhões de habitantes, possui uma população 11% superior, fazendo com que a esquerda governe um total de 246,4 milhões de sul-americanos.

Guinada política

O movimento em direção à direita na política sul-americana se intensificou com a ascensão de figuras como Javier Milei (La Libertad Avanza) na Argentina, Daniel Noboa (Acción Democrática Nacional) no Equador, Rodrigo Paz (Partido Democrata Cristão) na Bolívia e José Antonio Kast no Chile. Essa mudança reduziu o número de aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na região.

O cenário político se reverteu em comparação a 2015, quando partidos de esquerda e centro-esquerda estavam no comando de oito países, enquanto a direita governava apenas quatro. As recentes eleições no Peru e na Colômbia foram determinantes para esse giro à direita.

No Peru, Fujimori obteve uma vantagem irreversível sobre o candidato de esquerda, Roberto Sánchez, após 17 dias de contagem de votos. A Colômbia elegeu Abelardo de la Espriella, que conta com o apoio explícito dos Estados Unidos, alinhando-se a outros líderes de direita na região.

Influência do Brasil

O Brasil, como a maior economia da América do Sul, tem um impacto significativo no PIB e na demografia da esquerda no continente, registrando um PIB de US$ 2,28 trilhões em 2025, mais de 230% superior ao da Argentina, que ocupa a segunda posição. Uma possível vitória da direita nas próximas eleições presidenciais no Brasil poderia resultar em um controle de mais de 95% do PIB da América do Sul por líderes de direita.