Dona Onete celebra 10 anos de “Banzeiro”, disco que espalhou os sons e encantarias da Amazônia pelo mundo Lais Teixeira 💃Rainha do Carimbó chamegado, Dona Onete comemora dois grandes feitos neste mês de junho: a chegada dos seus 87 anos (completados no último dia 18), e os 10 anos do seu álbum de maior sucesso, “Banzeiro”. Em entrevista ao g1, a cantora, compositora, pesquisadora e professora marajoara revisita a própria carreira na música — iniciada tardiamente, aos 72 anos —, mas não só. Também fala sobre os artistas que tem ouvido recentemente, seu estado de saúde atual e os novos projetos.
Confira abaixo. 🌊10 anos de 'Banzeiro' Da sala de sua casa, em Belém, Dona Onete está feliz. Ela celebra uma década de “Banzeiro”, álbum que levou o Carimbó para além da Amazônia e a consolidou no cenário nacional.
Lançado em junho de 23 de junho de 2016, o disco alcançou o primeiro lugar da "World Music Charts Europe", impulsionando uma série de apresentações nos Estados Unidos, México, diversos países da Europa e do Sudeste Asiático. A obra de 12 faixas — cujo título remete à agitação das águas de rios e lagos amazônicos — se tornou um dos principais registros da música paraense contemporânea, ao unir, em um mesmo trabalho, ritmos tradicionais como banguê e bolero. “Eu era folclorista, participava de grupos de dança, mas tinha vontade de 'mexer' mais com o Carimbó.
Só de ver o nosso ritmo querido em lugares como Rio de Janeiro e São Paulo, que são vitrines, já é um sentimento de dever cumprido”, conta Dona Onete. Em músicas como “Tipiti” e “Banzeiro”, elementos do dia a dia amazônico também ganham dimensão poética, quase como uma espécie de crônica cantada. Já em faixas como “Proposta Indecente” e “No Sabor do Beijo”, a ex-professora explora a sensualidade bem-humorada que se tornou uma de suas marcas como cantora: "O carimbó é como se fosse uma dança entre um beija-flor e uma rosa.
Vêm vários beija-flores querendo tirar o néctar dela, mas ela não deixa. Ela se faz de pavulagem", analisa em tom de brincadeira. Dona Onete Banzeiro Divulgação 🎤 Bate-bola com Dona Onete Em um bate-bola com o g1, Dona Onete respondeu a perguntas sobre cheiros, sabores, músicas e memórias que ajudam a definir a Amazônia e sua própria trajetória artística.
Veja abaixo: Qual cheiro melhor representa a Amazônia? "Nosso tucupi. É um perfume bem caboclo".
Qual é o sabor da Amazônia? "Com farinha ou sem farinha. Com açúcar ou sem açúcar: o nosso açaí" Qual música é a pura definição da Amazônia?
"Além do hino do Pará, "Este Rio É Minha Rua", de Fafá de Belém e "Sabor Açaí", de Nilson Chaves. Isso porque não quero falar minhas..." Quais artistas tem ouvido recentemente? '"A Gaby Amarantos com o 'Rock Doido', a Keila, o Nelsinho Rodrigues, Joelma...
sempre vou valorizar os daqui." Que conselho a Dona Onete de 87 aos daria para aquela professora que guardava as composições num caderno lá em Cachoeira do Arari? "Nunca deixe ninguém te tolher, te fazer se sentir escravizada, ou te impedir de mostrar o que você tem. Espere, que vai dar certo.
Agora, se você esperar demais e não se mostrar um pouquinho, ninguém te encontra. Foi o que aconteceu comigo: fui me mostrando um pouquinho e olha no que deu..." Dona Onete figura em dois singles lançados quase simultaneamente neste mês de fevereiro, ‘Jambu no cuxá’ e ‘Quatro contas’ Tereza Maciel / Divulgação 🩺 Estado de saúde atual Do início da sua trajetória na música, para cá, Dona Onete andou bastante.
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