O ministro da Fazenda, Dario Durigan, destacou que a pressão sobre os juros no Brasil é influenciada pelo cenário econômico global, especialmente pelo diferencial de taxas em relação aos Estados Unidos. Em entrevista à revista Carta Capital, publicada nesta quinta-feira (9), Durigan afirmou que essa situação pode ser considerada “talvez a principal explicação para a alta” das taxas de juros no país.
Segundo o ministro, a alteração estrutural do nível de juros requer, antes de tudo, a estabilidade institucional e um planejamento fiscal que se estenda por longo prazo. Ele relacionou essa necessidade a fatores que envolvem as instituições e o ambiente democrático do Brasil.
Estabilidade institucional como prioridade
Durigan enfatizou que o reconhecimento das eleições e a manutenção de um ambiente político estável são essenciais para a redução das taxas de juros. Ele mencionou a importância de evitar episódios de violência, como quebra-quebra e bloqueio de rodovias, que podem prejudicar a confiança do mercado.
Na entrevista, concedida na quarta-feira (8) e divulgada no dia seguinte, o ministro ressaltou que a pressão sobre os juros está fortemente ligada ao que ocorre fora do Brasil, sendo a solução para essa questão complexa e dependente de fatores internos.
Medidas fiscais e combate ao rentismo
Quando questionado sobre o tema do rentismo, Durigan mencionou que o governo está começando a enfrentar essa questão por meio do aumento da tributação sobre a renda e o patrimônio. Ele citou a tributação de dividendos, a incidência sobre fundos fechados e os fundos em offshore como exemplos de medidas que visam alterar a situação atual, que anteriormente tinha isenção total de Imposto de Renda.
O ministro também criticou análises fiscais que, segundo ele, exageram em suas conclusões e defendem um Estado mínimo. Durigan reafirmou seu compromisso com um Estado que funcione de maneira eficiente, promova o bem-estar social e desempenhe um papel ativo no desenvolvimento econômico.
Para Durigan, a estabilidade institucional e um planejamento fiscal de longo prazo são fundamentais para a redução estrutural das taxas de juros. Ele acredita que, sem essas condições, o Brasil continuará enfrentando desafios significativos em relação ao seu cenário econômico.
Fonte: Estadão Conteúdo
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