Um estudo publicado na última sexta-feira (26) pelo World Weather Attribution (WWA) revela que as ondas de calor que estão afetando a Europa estão se tornando mais frequentes e intensas em decorrência das mudanças climáticas induzidas pela atividade humana. Desde o início de junho, o continente tem registrado temperaturas recordes para esta época do ano.

Os pesquisadores afirmam que as alterações climáticas “mais do que dobraram a mortalidade associada a eventos de calor extremo”. O estudo completo está disponível em inglês no site do WWA.

Conforme os especialistas, as mortes relacionadas às ondas de calor são evitáveis. “A onda de calor de junho de 2026 evidencia a necessidade urgente de uma melhor governança dos riscos associados ao calor e da implementação de planos de ação eficazes para eventos extremos”, destacaram.

Onda de calor sem precedentes

A atual onda de calor na Europa é considerada “particularmente notável”, uma vez que junho não costuma ser o mês mais quente na Europa Ocidental. Os dados indicam que a região está se aquecendo a uma taxa mais acelerada do que a média global.

O sul da Inglaterra, bem como a maior parte da França, Bélgica e Holanda, registraram temperaturas diurnas que estão até 4°C acima dos níveis observados há 23 anos. “Nas áreas mais afetadas – especialmente no oeste da França e no norte da Alemanha – essas temperaturas extremas tornaram-se mais de 100 vezes mais prováveis devido ao aquecimento causado pela ação humana”, afirma o estudo.

Os pesquisadores consideram esta a onda de calor mais severa já vivida na Europa. Eles apontam que temperaturas como as de junho de 2026 seriam praticamente impossíveis em 1976, enquanto que em 2003, durante uma das ondas de calor mais intensas da história recente, eventos semelhantes ainda seriam de 10 a 100 vezes menos prováveis.