Pesquisadores do Laboratório de Distúrbios do Metabolismo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) alertam para os potenciais danos à saúde associados ao uso prolongado do óleo de coco como suplemento alimentar. De acordo com o estudo, o consumo diário do produto em doses equivalentes a uma colher de sopa resultou em ganho de peso, comportamento ansioso e aumento de marcadores inflamatórios em camundongos saudáveis.

O professor Márcio Alberto Torsoni, especialista em biologia funcional e molecular, explicou que, após oito semanas de suplementação, os animais apresentaram um aumento significativo no tecido adiposo e ativação de processos inflamatórios. “O animal ganhou mais peso e não percebeu alguns sinais hormonais devido a esses processos”, afirmou Torsoni.

Os pesquisadores observaram alterações nos níveis de leptina e insulina, hormônios essenciais para a regulação do metabolismo e que influenciam a sensação de saciedade e os níveis de açúcar no sangue. “Com a perda da capacidade de sinalização, a pessoa sente mais fome, acumula mais gordura e, consequentemente, ganha peso”, acrescentou o professor.

Impactos no sistema nervoso

O estudo também revelou que a suplementação afetou o hipocampo dos camundongos, região do cérebro ligada à ansiedade e a distúrbios comportamentais. Torsoni ressaltou que a produção excessiva de moléculas inflamatórias pode causar danos aos neurônios, resultando em comportamentos ansiosos.

O pesquisador recomenda que o consumo de óleo de coco seja feito em quantidades moderadas, conforme as diretrizes do Guia Alimentar para a População Brasileira. “É fundamental manter uma dieta equilibrada e atenta às modas alimentares que muitas vezes carecem de respaldo científico”, concluiu.