Geocientistas da Universidade de Glasgow, em colaboração com uma equipe internacional de especialistas da China e do Reino Unido, descobriram novas evidências sobre a formação do Planalto Tibetano, uma das áreas montanhosas mais altas do planeta. A pesquisa, publicada na revista Nature Geoscience, demonstra que a topografia única do cume do planalto é moldada por processos que ocorrem nas profundezas da Terra.
Os resultados indicam como a placa continental indiana, localizada ao sul, foi empurrada para baixo da placa asiática, ao norte, evidenciando a conexão entre o interior da Terra e suas características superficiais. O estudo utilizou análises geocronológicas desenvolvidas na Universidade de Glasgow e no Scottish Universities Environmental Research Center (SUERC) para determinar que as partes ocidental e central do Planalto Tibetano possuem histórias geológicas distintas, refletidas em suas topografias.
Contrastes geológicos no Planalto
A pesquisa revelou uma diferença clara na história de exumação do planalto de leste a oeste, que é o processo pelo qual as rochas aparecem na superfície devido a movimentos tectônicos e erosão. Os pesquisadores realizaram extensos levantamentos geológicos entre 2017 e 2019 nas regiões de Gerze, no centro do planalto, e Rutog, no oeste, coletando uma ampla variedade de amostras que foram enviadas para análise na Universidade de Glasgow.
Durante um projeto de pesquisa colaborativa de três anos, doutorandos da Universidade de Nanjing, na China, aplicaram técnicas de termocronologia de baixa temperatura para determinar a história de exumação regional e reconstruir a topografia e o relevo do passado.
Uplift divergente e suas implicações
Os dados coletados revelaram que o levantamento das partes central e ocidental do planalto foi radicalmente diferente entre 45 milhões e 20 milhões de anos atrás, um período em que a placa indiana começou a se mover sob a placa asiática no oeste, mas ainda não havia alcançado o centro do planalto. A professora Cristina Persano, da Escola de Ciências Geográficas e da Terra da Universidade de Glasgow, ressaltou a importância do estudo: "A paisagem, sua topografia e os registros geológicos são a única maneira que temos de investigar e compreender o que acontece sob nossos pés".
Ela enfatizou que entender esses processos é fundamental para a compreensão de perigos geológicos, como terremotos e vulcões. O professor Fin Stuart, especialista em geociências isotópicas no SUERC, afirmou que esta pesquisa fornece a primeira evidência convincente de que a subducção da placa indiana foi responsável pela formação do Planalto Tibetano, explicando as diferenças topográficas entre suas partes oriental e ocidental.
O estudo tem o potencial de mudar a compreensão sobre como as cadeias de montanhas se formam e demonstra a eficácia de novas técnicas analíticas no campo da geociência.
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