A combinação de tetraidrocanabinol (THC) e canabidiol (CBD) demonstrou reduzir de forma significativa a agitação em pacientes com demência avançada, conforme apresentado na Conferência da Associação Internacional de Alzheimer (AAIC 2026), realizada em Londres. O estudo, parte do ensaio clínico de Fase 2 do projeto LiBBY, sugere uma nova abordagem terapêutica para uma população historicamente negligenciada.

Resultados do Estudo LiBBY

O ensaio multicêntrico, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo incluiu 120 participantes que apresentavam agitação clinicamente relevante. Os resultados mostraram que quase 90% dos pacientes que receberam a combinação de THC e CBD relataram melhora significativa nos sintomas após 12 semanas. O psiquiatra Jacobo Mintzer, professor da Universidade da Carolina do Sul e investigador principal do estudo, destacou a importância dessas descobertas, afirmando que agora existem evidências que apoiam uma nova e eficaz abordagem para a agitação em pacientes com demência.

Metodologia e Impacto

O estudo utilizou uma formulação oral com 2 mg de THC e 100 mg de CBD, administrada duas vezes ao dia. A metodologia foi rigorosa, garantindo que os resultados fossem confiáveis e não manipulados. Na segunda semana, os participantes que receberam a combinação apresentaram uma redução de 6,27 pontos nas pontuações de agitação em comparação com o grupo placebo. Após 12 semanas, a redução foi ainda mais significativa, com uma diferença de 8,23 pontos.

A agitação é um sintoma comum em pacientes com demência, afetando cerca de 50% deles em estágios avançados. Os métodos tradicionais de tratamento, como benzodiazepínicos e antipsicóticos, muitas vezes apresentam riscos significativos. A enfermeira Brigid Reynolds, coinvestigadora do estudo, enfatizou que a redução da agitação pode proporcionar uma experiência mais digna e calma para pacientes e suas famílias, oferecendo esperança em um momento difícil.

Estudo PROTECT-Cog e novas perspectivas

Além dos resultados do estudo LiBBY, a Associação de Alzheimer anunciou o lançamento do Estudo PROTECT-Cog, com um orçamento de US$ 100 milhões. Este ensaio clínico global visa avaliar se a combinação de intervenções no estilo de vida com medicamentos específicos pode reduzir o risco de declínio cognitivo em idosos vulneráveis. O estudo é baseado na crescente evidência de que fatores como atividade física e nutrição desempenham um papel crucial na saúde cerebral.

Os participantes do PROTECT-Cog serão acompanhados por três anos, com avaliações periódicas de saúde e cognição. O objetivo é comparar diferentes abordagens de intervenção no estilo de vida e investigar a eficácia de agonistas do receptor de GLP-1 no contexto da prevenção da demência.