Uma pesquisa recente da Universidade do Novo México, intitulada "Conceptualizing Anti-Blackness at Hispanic-Serving Research Universities", aborda uma questão frequentemente negligenciada nas instituições de ensino superior que servem a comunidades hispânicas: as experiências de estudantes negros. O estudo se concentra em universidades classificadas como R1, ou seja, aquelas com alta intensidade de pesquisa.

O trabalho foi liderado por Brandi Wells-Stone, diretora de Serviços Estudantis Afro-Americanos, Assata Zerai, vice-presidente da Divisão para Mudança e Empoderamento e professora do College of Arts and Sciences, e Teresa Neely, professora de biblioteconomia no College of University Libraries & Learning Sciences. A pesquisa foi publicada na revista Social Sciences.

Desigualdade e exclusão nas universidades

Os pesquisadores identificaram uma lacuna significativa na educação superior, observando o baixo percentual de estudantes e professores negros nas universidades R1 que são instituições que atendem hispânicos. Estudos anteriores já indicavam que estudantes negros frequentemente enfrentam dificuldades para se sentirem pertencentes a esses ambientes.

Um dos principais achados do estudo é que muitos alunos se deparam com ambientes que parecem ser excluidores ou até hostis. "Como mostrado nos dados que apresentamos, quando treinadores, palestrantes convidados e colegas usam a palavra 'N', isso cria um ambiente em que os estudantes lutam para pertencer. Estudantes em nossa pesquisa relataram essas ocorrências em salas de aula, em atividades esportivas e em outros locais do campus", afirmaram os pesquisadores.

Recomendações para maior inclusão

Os autores também introduzem o conceito de "servingness", que vai além das medidas tradicionais de sucesso estudantil, como notas ou taxas de graduação. Este conceito se concentra em saber se as instituições estão realmente apoiando os alunos de maneira significativa.

Os pesquisadores oferecem três recomendações principais para as universidades. A primeira é promover a pesquisa-ação participativa, onde estudantes trabalham ao lado de pesquisadores para entender e interpretar suas próprias experiências, garantindo que suas vozes sejam centrais nas soluções propostas.

A segunda recomendação é a ampliação de programas de intervenção "upstander", que ensinam alunos e funcionários a reagir quando testemunham comportamentos prejudiciais. A equipe de pesquisa também enfatiza a necessidade de sistemas de relato acessíveis em áreas de grande circulação, facilitando o registro de incidentes pelos estudantes.

Por fim, os pesquisadores destacam a importância da reflexão institucional. As universidades devem avaliar ativamente como estão atendendo os estudantes negros e trabalhar para incorporar o conceito de servingness em suas declarações de missão, planos estratégicos e práticas cotidianas. O objetivo é incentivar as R1-HSIs a tomarem medidas mais intencionais em direção à inclusão, sem desviar o foco dos estudantes hispânicos, mas ampliando a missão das HSIs de forma mais equitativa.