O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou nesta quinta-feira que Washington não aceitará um acordo com o Irã que permita a Teerã impor tarifas sobre o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, alertando que isso poderia causar "caos total". Seus comentários surgem após um ataque a um navio que levou a Organização das Nações Unidas (ONU) a suspender os esforços de evacuação de marinheiros.

Rubio, que está no Bahrein como parte de uma turnê regional para tranquilizar parceiros da região afetados pela guerra no Oriente Médio, rejeitou a ideia de que o Irã possa cobrar taxas no estreito, destacando que isso abriria caminho para uma desordem significativa.

Os EUA e o Irã assinaram um acordo preliminar para encerrar o conflito iniciado pelos EUA e Israel no final de fevereiro, iniciando negociações que devem abordar o programa nuclear de Teerã, alívio de sanções e o fluxo global de energia através do estreito, onde o Irã tem repetidamente atacado embarcações civis. No entanto, países do Golfo e Israel expressam preocupações sobre o apoio do Irã a grupos armados na região e seu programa de mísseis, e ainda não está claro se esses tópicos serão tratados nas discussões.

Após encontro com Rubio, os ministros das Relações Exteriores do Conselho de Cooperação do Golfo enfatizaram que "a paz e a segurança regional duradouras exigem abordar todo o espectro das ameaças do Irã, incluindo seus mísseis balísticos, drones e apoio a proxies".

Rubio também procurou tranquilizar os estados do Golfo, ricos em energia, de que o Estreito de Ormuz, vital para a exportação de petróleo e gás natural liquefeito, permaneceria livre de tarifas. O Irã impôs um bloqueio ao estreito durante a guerra, provocando um choque econômico global, e anunciou a intenção de introduzir tarifas para serviços marítimos.

Além disso, a Agência de Segurança Marítima do Reino Unido (UKMTO) informou que um navio de carga foi atingido por um projétil desconhecido, causando danos, mas sem vítimas, a 7,5 milhas náuticas da costa de Omã. Em resposta, o secretário-geral da Organização Marítima Internacional (IMO), Arsenio Dominguez, anunciou a suspensão dos esforços de evacuação de 600 navios e suas tripulações presos pela guerra.

Rubio reiterou que o Estreito de Ormuz deve ser considerado uma via navegável internacional, livre de cobranças. Os ministros do Golfo também insistiram que "a navegação livre, incondicional e irrestrita" no estreito é essencial para a região. O acordo assinado entre Teerã e Washington prevê que os navios comerciais possam transitar pelo estreito sem custos nos próximos 60 dias, mas ainda não estão claros os arranjos após esse período.