Por Elton Alisson

A expansão de ciclovias e parques na cidade de São Paulo, entre 2014 e 2024, incentivou a prática de atividades físicas e trouxe benefícios para a saúde pública, conforme aponta um estudo que analisou o comportamento de 1.500 moradores da metrópole. A pesquisa revelou que a proximidade de ciclovias, localizadas a menos de 500 metros de casa, foi um fator crucial para promover o uso da bicicleta entre os paulistanos.

“Estamos observando um experimento natural em São Paulo: o aumento da oferta de espaços públicos evidencia como as mudanças urbanas estimulam o deslocamento ativo, a exemplo do ciclismo”, afirma Alex Florindo, professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP) e coordenador do estudo, em entrevista à Agência Fapesp.

Os resultados da pesquisa, apoiada pela Fapesp, foram publicados em abril no Journal of Transport & Health. O período analisado foi marcado por um aumento significativo na malha cicloviária da cidade, que cresceu de 242 km para 743 km, além da adição de 15 novos parques municipais, segundo dados da prefeitura.

Aumento das ciclovias

O estudo longitudinal utilizou entrevistas presenciais e telefônicas para monitorar a atividade física relacionada ao ciclismo, considerando pessoas que pedalavam ao menos 10 minutos por dia. Os pesquisadores cruzaram esses dados com a proximidade dos participantes a espaços públicos abertos em um raio de 500 metros de suas residências, utilizando informações georreferenciadas da plataforma Geosampa.

Gerida pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, a plataforma fornece dados atualizados anualmente sobre parques, praças e ciclovias, entre outros. Florindo explica que o cruzamento de dados permitiu avaliar se o acesso a esses espaços públicos impactou o comportamento e a saúde dos moradores ao longo dos anos.

Os resultados indicaram que a proporção de domicílios próximos a ciclovias aumentou de 22% para 33,2%, enquanto o acesso a parques cresceu de 9,4% para 12,7%. Apesar da queda no uso da bicicleta entre a população geral, aqueles com acesso a múltiplos espaços públicos mantiveram seus hábitos de ciclismo.

Distribuição desigual

O estudo, iniciado em 2014, coincide com a aprovação do novo Plano Diretor de São Paulo, que visava aumentar a infraestrutura urbana em áreas carentes. No entanto, a expansão das ciclovias ocorreu de forma desigual, concentrando-se mais nas regiões ricas da cidade.

Florindo destaca a importância de reorientar as políticas públicas para implantar mais ciclovias em áreas com menor infraestrutura, como nas zonas leste e sul. Além disso, ressalta que a criação de ciclovias não é a única solução para promover o uso da bicicleta, sendo necessárias outras intervenções, como a ampliação do sistema de compartilhamento de bicicletas e a implementação de ruas de lazer.

“Identificamos que, mesmo com a implantação de mais ciclovias, o ciclismo na cidade de São Paulo não está aumentando muito por uma série de razões. A bicicleta ainda é cara no Brasil e o ciclismo é uma atividade física praticada principalmente por homens”, conclui.