O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se defendeu, na quarta-feira (15.jul.2026), das críticas recebidas após a divulgação de uma foto em que aparece ao lado de Luiz Philipi Mourão, conhecido como Sicário, funcionário de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Para rebater as acusações, Flávio citou a relação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com a advogada e influenciadora Deolane Bezerra.

Após a repercussão negativa, o senador divulgou uma nota e um vídeo afirmando que a selfie não é prova de uma relação com Sicário, explicando que, como figura pública, recebe diariamente pedidos de fotos de várias pessoas.

Lula e Deolane

No vídeo, Flávio mencionou a proximidade entre Lula e Deolane, insinuando que o presidente mantém vínculos com indivíduos relacionados ao crime. Deolane Bezerra encontra-se presa desde maio, sendo acusada de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital), conforme investigado pela Polícia Civil de São Paulo na operação Vérnix.

Lula já foi fotografado ao lado de Deolane em diversas ocasiões. A advogada chegou a compará-lo a “um pai” que ela nunca teve. As imagens dos dois foram utilizadas por Flávio para ilustrar sua argumentação sobre a relação entre o presidente e a influenciadora, que permanece detida na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, em São Paulo.

Quem era o Sicário

Luiz Philipi Mourão era parte do “núcleo de intimidação” de adversários ligados a Vorcaro, conforme informações da Polícia Federal. Em um despacho que autorizou a operação em 4 de março, o ministro André Mendonça citou conversas entre Sicário e Vorcaro que podem ser interpretadas como intimidações.

  • Ameaça contra jornalista – Vorcaro mencionou o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, sugerindo que deveria haver pessoas o seguindo para coletar informações. Sicário respondeu afirmando que faria isso e, em seguida, o banqueiro expressou desejo de agredi-lo.
  • Ameaça contra empregada – Em outra conversa, Vorcaro afirmou ter sido ameaçado por uma funcionária e declarou que precisava “moer essa vagabunda”, com Sicário perguntando como proceder.

O despacho de Mendonça sobre Luiz Philipi esclarece que ele tinha uma relação direta com Vorcaro e recebia R$ 1 milhão mensais por serviços ilícitos. Além disso, era responsável por obter informações sigilosas e monitorar pessoas, coordenando um grupo conhecido como A Turma, que intimidava adversários.

O apelido Sicário remete a um termo latino, associado a assassinos de aluguel, e ganhou notoriedade em contextos de criminalidade organizada, como no México. O termo ficou ainda mais popularizado pelo filme “Sicario: Terra de Ninguém”, dirigido por Denis Villeneuve.