Titanossauros viviam nas florestas do que hoje é a Antártida há 70 milhões de anos, durante o Cretáceo Superior Andrew McAfee, Carnegie Museum of Natural History Um fóssil encontrado em 1985 e arquivado por quatro décadas acaba de ser identificado como o primeiro osso de dinossauro descoberto na Antártida, segundo o Museu de História Natural de Londres. Quando foi descoberto, acreditava-se que pertencia a um réptil marinho, e ele ficou guardado numa gaveta da coleção de geologia do British Antarctic Survey (BAS), em Cambridge. O geólogo Mike Thomson havia registrado a descoberta em 9 de dezembro de 1985, na ilha James Ross.

Junto a um esboço, anotou "vértebra de grande réptil" e estimou que ela tinha cerca de 10 centímetros de largura. Ao revisar espécimes de expedições antárticas, o responsável pela coleção, Mark Evans, voltou a encontrá-la. "Às vezes, quando você começa a se perguntar 'o que haverá nesta gaveta', se depara com algo e pensa 'hum, isso parece interessante'", contou à emissora britânica BBC.

Identificação de um titanossauro Evans achou que a peça tinha morfologia de dinossauro e consultou o professor Paul Barrett, especialista do Museu de História Natural de Londres. Geólogo registrou uma "vértebra de grande réptil" e estimou que ela tinha cerca de 10 centímetros de largura The Trustees of the Natural History Museum, London Barrett não teve dúvidas. "Embora à primeira vista não chame muita atenção, tem uma forma realmente distintiva.

Assim que a vi, soube com o que estávamos lidando. Tinha certeza de que se tratava de um titanossauro. Trata-se de uma combinação de características totalmente única desse tipo de dinossauro." O fóssil seria uma vértebra da cauda Os paleontólogos confirmaram que a peça é uma vértebra caudal de titanossauro, um grupo que incluía os maiores dinossauros terrestres, com mais de cem espécies identificadas.

Esses animais eram herbívoros quadrúpedes de pescoço longo, o que lhes permitia alcançar as copas das árvores, e possuíam caudas extensas como contrapeso; os maiores ultrapassavam 35 metros de comprimento e 60 toneladas. "Acredite ou não, este é o primeiro fragmento de dinossauro já descoberto na Antártida", afirma Barrett, que, junto com sua equipe, descreve o animal pré-histórico na revista Acta Palaeontologica Polonica. "Ele passou despercebido porque, acredito, foi identificado incorretamente durante trabalhos de campo em condições adversas; mas trata-se de um saurópode, e é apenas o segundo osso de saurópode de todo o continente." LEIA TAMBÉM: Calor derrete asfalto e obstrui trilhos de bonde na Alemanha Imagens de satélite apontam quase 59 mil prédios possivelmente danificados após terremotos na Venezuela Nova massa de ar polar vai derrubar termômetros no Centro-Sul; SP terá máximas de 17°C, e Rio, de 19°C Agora no g1 Florestas e clima mais quente O fóssil não permite determinar a espécie exata nem a idade ou tamanho do animal.

No entanto, oferece uma janela para como esses gigantes viviam no continente gelado há 70 milhões de anos, durante o Cretáceo Superior. "Podemos datá-lo com bastante precisão porque ele vem de rochas marinhas.