As principais mudanças nos vestibulares da Fuvest e da Unicamp buscam aumentar a capacidade de raciocínio dos candidatos. A Fuvest, responsável pelo acesso à Universidade de São Paulo (USP), realizará sua primeira prova com o novo formato em 1º de novembro, reduzindo o número de questões da 1ª fase de 90 para 80.

A partir do Vestibular 2028, a Fuvest também irá alterar a 2ª fase, onde os candidatos responderão a 8 questões, em vez das 10 anteriores, além de incluir uma redação.

Alterações na Unicamp

De maneira semelhante, a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) diminuiu o número de questões da 2ª fase, que passará de 20 para 18. A 1ª fase do vestibular da Unicamp está agendada para 18 de outubro, enquanto a 2ª fase ocorrerá nos dias 29 e 30 de novembro.

Foco no raciocínio crítico

Com as alterações, a expectativa é que os candidatos precisem entender profundamente os conteúdos, ao invés de apenas memorizar informações. Segundo Ana Maris Goulart, coordenadora pedagógica do Colégio Rio Branco, a nova diretriz sugere uma abordagem de 'menos memorização e mais raciocínio'.

A pedagoga ressalta que os processos seletivos de 2026 refletem uma tendência de minimizar a memorização e promover a reflexão crítica. Temas como atualidades, geopolítica, questões de gênero, meio ambiente e inteligência artificial poderão ser utilizados em questões interdisciplinares tanto na Fuvest quanto na Unicamp.

Além disso, Goulart menciona a mudança no formato do Enem, anunciada em 2025, que introduziu a metodologia testlet, permitindo que duas ou mais questões sejam baseadas em um único texto. Essa lógica de redução de questões isoladas e aumento do tempo para reflexão é uma característica comum entre os três vestibulares.

“A capacidade de ler o mundo de forma crítica não se desenvolve na 3ª série do Ensino Médio. Um estudante bem-preparado para o ENEM está, em grande parte, apto para a maioria dos processos seletivos. O que varia entre eles é o nível de aprofundamento em determinadas áreas”, completa Goulart.