OMS alerta para cenário de caos na Venezuela e risco de epidemias depois dos terremotos Organizações humanitárias alertaram na terça-feira (30) que o frágil sistema de saúde da Venezuela está sendo levado ao limite quase uma semana após dois fortes terremotos, com hospitais danificados e com falta de pessoal sobrecarregados por feridos e doenças infecciosas se alastrando na zona de desastre. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Enquanto isso, o número de resgates oficiais caiu drasticamente nos últimos três dias, segundo o governo, de 5.380 pessoas salvas nos dois primeiros dias após os terremotos para apenas quatro pessoas encontradas vivas na segunda-feira pelas autoridades. O período crucial para encontrar sobreviventes de terremotos é normalmente de 48 a 72 horas, mas é possível sobreviver por mais tempo, dependendo de fatores como temperatura e acesso a água ou comida.

Pessoas recebem suprimentos de voluntários em La Guaira, na Venezuela, em 30 de junho de 2026 Matias Delacroix/AP Photo O único sobrevivente resgatado na terça-feira até o pôr-do-sol era uma criança que ficou presa por seis dias sob um prédio desabado, disse Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional. Esses números não incluem os muitos resgates realizados em todo o país por grupos de voluntários que, frustrados com a resposta lenta do governo, se mobilizaram para salvar seus entes queridos presos dias antes da chegada de equipes internacionais especializadas. O governo estima o número de mortos em mais de 1.900.

Especialistas afirmam que esse número representa uma subnotificação significativa, visto que mais corpos são retirados dos escombros diariamente e os necrotérios têm dificuldades para lidar com a grande quantidade de vítimas. Entre os sobreviventes, uma crise humanitária se desenrola. Agências das Nações Unidas estimaram, na terça-feira, que o terremoto acumulou 1,2 milhão de toneladas de entulho, entre prédios destruídos e pertences pessoais.

Elas expressaram preocupação com os efeitos na saúde de milhares de pessoas desabrigadas que dormem há dias ao relento ou em abrigos superlotados e insalubres. Um sistema de saúde em crise O sistema de saúde venezuelano, sobrecarregado por décadas de pouco investimento e anos de crise econômica, está “sob extrema pressão, com instalações operando além da capacidade para atender à crescente demanda por casos de trauma”, afirmou Christian Lindmeier, porta-voz da Organização Mundial da Saúde, em uma coletiva de imprensa em Genebra. Autoridades venezuelanas afirmam que mais de 15.800 pessoas foram afetadas pelos terremotos — um número que reflete a quantidade oficial de deslocados, disse na terça-feira a porta-voz da agência da ONU para refugiados, Carlotta Wolf.

Os venezuelanos recém-desabrigados estão dormindo em carros, parques e outros locais. Wolf afirmou que esse número continuará a aumentar. Muitos dos deslocados no estado de La Guaira, o mais atingido, localizado nos arredores da capital Caracas, no litoral, sofrem com a escassez generalizada de alimentos, disse ela.

Sem acesso a banheiros, chuveiros ou sabão, os venezuelanos deslocados também se tornaram cada vez mais vulneráveis ​​a surtos de doenças evitáveis, como o sarampo, devido às baixas taxas de vacinação da população, disse Lindmeier, acrescentando que as condições são propícias para a disseminação de infecções transmitidas pela água, como dengue, febre-amarela e malária.