A Seleção Brasileira de Futebol enfrentará a Noruega neste domingo (5), em um jogo das oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, que acontece nos Estados Unidos. A partida ocorre a três meses do primeiro turno das eleições presidenciais, marcando um momento em que o futebol, com seu forte impacto social, pode influenciar a política.
Historicamente, o futebol foi utilizado como uma ferramenta política, como durante a ditadura militar, mas atualmente, no maior período democrático do Brasil, a questão é: será que o desempenho da Seleção pode afetar as decisões eleitorais? O portal g1 consultou especialistas para entender essa dinâmica.
Título pode beneficiar o presidente em exercício
Renata Coelho, especialista em comportamento eleitoral, afirma que uma vitória da Seleção pode sutilmente fortalecer a imagem do presidente no cargo. Segundo ela, esse efeito não é racional, mas emocional, caracterizado por uma “transferência emocional” que gera satisfação entre os cidadãos.
“Ninguém acorda depois de um título e pensa conscientemente: ‘o Brasil ganhou, logo vou votar no presidente’. O que acontece é uma transferência emocional que gera um sentimento de satisfação com a situação atual, inclusive com o governo”, explicou Renata.
Gustavo Javier Castro, filósofo e especialista em ciência política, complementa que grandes vitórias da Seleção costumam criar um clima de euforia coletiva, o que pode beneficiar o governo em exercício em termos de percepção pública. No entanto, ele alerta que as condições econômicas e sociais são fatores determinantes. “Um título mundial pode gerar um benefício simbólico momentâneo, mas dificilmente mudará cenários eleitorais por si só”, afirmou Castro.
Impactos das derrotas na política
A especialista Renata Coelho ressalta que o impacto de uma derrota da Seleção é diferente e pode ser mais duradouro. A decepção tende a ser mais memorável do que a euforia, podendo reativar insatisfações já existentes entre os eleitores.
Ela cita a derrota do Brasil para o Uruguai em 1950 como um trauma que perdura por gerações, e a goleada de 7 a 1 para a Alemanha em 2014, que se tornou uma metáfora política de vergonha e fracasso. “Uma derrota pode não mudar o voto diretamente, mas pode servir como um gatilho emocional para insatisfações preexistentes”, explicou.
Gustavo Javier Castro também observa que derrotas esportivas podem ser integradas ao discurso político em tempos de crise, funcionando como símbolos de desorganização e perda de prestígio nacional. “Em períodos de insatisfação, essas derrotas se transformam em metáforas poderosas”, disse.
O futuro da influência do futebol nas eleições
Os especialistas acreditam que a Copa do Mundo de 2026 terá uma influência política diferente das edições anteriores, devido à fragmentação da sociedade e ao papel das redes sociais. Embora o futebol ainda seja um evento nacional importante, seu impacto agora é mais dividido.
Para Renata Coelho, a seleção já não une o país da mesma forma que em décadas passadas. “Hoje, os jogadores são também marcas e influenciadores que se comunicam diretamente com seus seguidores, o que altera a dinâmica da relação entre a Seleção e o público”, concluiu.
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