O Estreito de Ormuz tornou-se um ponto central na estratégia do Irã em seu conflito com os Estados Unidos, conforme analisado por Mehran Kamrava, professor de ciência política na Universidade de Georgetown, em entrevista à BBC. Ele destaca que Teerã busca transformar o embate militar em uma guerra econômica, dada a sua incapacidade de enfrentar os EUA em condições de igualdade.

O papel do Estreito de Ormuz

Kamrava menciona que, em meio ao enfraquecimento militar do 'Eixo da Resistência' do Irã — que inclui grupos como Hamas, Hezbollah e houthis — o Estreito de Ormuz se torna uma fonte crucial de influência e dissuasão para os iranianos. "Para o Irã, o Estreito de Ormuz é uma importante fonte de influência estratégica e sua principal fonte de dissuasão", explicou o acadêmico.

O especialista ressalta que, ao tentar transformar o conflito em uma disputa econômica, o Irã busca manter sua influência sobre a via que é vital para o comércio global de petróleo. Ele observa que os EUA estão determinados a retirar o controle do Irã sobre o estreito, embora as estratégias para isso ainda não estejam claras, nem mesmo para os planejadores do Pentágono.

Escalada das hostilidades

Na segunda-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou um bloqueio naval no Estreito de Ormuz, afirmando que o acesso aos portos iranianos será controlado para impedir a movimentação de navios iranianos e seus clientes. Segundo Trump, o bloqueio visa garantir a segurança da região, que é considerada instável, e entrará em vigor imediatamente.

O Comando Central dos EUA (Centcom) confirmou que o bloqueio começaria às 17h (horário de Brasília) do dia 14 de julho. Além disso, Trump anunciou uma taxa de 20% sobre toda a carga transportada pelo estreito, embora não tenha detalhado como essa taxa seria aplicada.

Kamrava também destacou que a escalada do conflito entre Irã e EUA está afetando a estabilidade na região, com países como Catar e Emirados Árabes Unidos vendo sua imagem de segurança ameaçada. Ele alertou que a intensificação do conflito pode levar a uma nova escalada, especialmente se os houthis decidirem fechar o Estreito de Bab el-Mandeb, outra rota marítima crucial.

"Estamos vivendo um momento extremamente delicado", afirmou Kamrava, enfatizando a necessidade de uma solução negociada. Embora países como Omã, Catar e Paquistão estejam buscando mediar a situação, o que uma eventual negociação significará ainda permanece indefinido.