Ghalibaf aponta falhas dos EUA no acordo
O principal negociador do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, também presidente do Parlamento, destacou as principais violações do acordo de cessar-fogo por parte dos Estados Unidos na madrugada desta quarta-feira (8), após uma série de ataques entre os dois países.
Em uma publicação na rede social X, Ghalibaf declarou que o governo americano não cumpriu o acordo ao infringir os "ajustes iranianos no Estreito de Ormuz" e ao continuar as "ameaças persistentes de novos ataques".
Repercussões dos ataques
Ghalibaf listou ainda outras violações, incluindo o "restabelecimento das sanções ao petróleo, os ataques ao sul do Irã e a continuação da agressão sionista". Ele enfatizou: "A era da intimidação e da extorsão acabou. Isso não leva a lugar algum. Não vamos ceder".
A Guarda Revolucionária do Irã anunciou que atacou instalações militares americanas no Bahrein e no Kuwait, em resposta a uma nova onda de bombardeios lançada por Washington. A ação americana foi uma retaliação a ataques contra petroleiros no Estreito de Ormuz.
Na terça-feira (7), os EUA realizaram novos ataques militares e revogaram a licença que permitia ao Irã vender petróleo, em resposta a incidentes recentes no estreito.
O Comando Central dos EUA (CENTCOM) informou que mais de 60 embarcações de pequeno porte da Guarda Revolucionária foram atingidas, como parte de uma estratégia para impor um custo elevado ao Irã pelos ataques à navegação, considerados uma violação do cessar-fogo.
Em comunicado, o CENTCOM classificou a "agressão injustificada das forças iranianas" como uma violação clara do cessar-fogo, afirmando que isso compromete a liberdade de navegação na região.
Reações e perspectivas futuras
O Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, principal comando militar do Irã, condenou os ataques americanos, descrevendo-os como um "ato flagrante de agressão". O comando ameaçou uma "resposta devastadora" e afirmou que Teerã não permitirá interferência dos EUA na administração do estreito.
Relatos da mídia iraniana mencionaram explosões em diversas localidades, incluindo a ilha de Kharg, principal ponto de exportação de petróleo do Irã, e nas cidades portuárias de Sirik e Bandar Abbas, no sul do país.
Ghalibaf, em comentários anteriores, havia dito que a implementação do acordo de cessar-fogo com os EUA é "difícil, mas possível". Ele também reafirmou o apoio do Irã à "frente de resistência", referindo-se aos grupos armados regionais que recebem apoio da República Islâmica.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, alertou que as negociações para um acordo definitivo entre Teerã e Washington permaneceriam congeladas se os EUA continuassem a fazer ameaças de novos ataques, após declarações do presidente americano, Donald Trump.
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