O presidente da França, Emmanuel Macron, é esperado para uma visita à Síria, conforme anunciado pela presidência síria neste domingo. Este será o primeiro deslocamento de um chefe de estado de uma potência ocidental desde a derrubada de Bashar al-Assad, em 2024.

De acordo com a agência de notícias estatal SANA, a visita de Macron tem como objetivo discutir formas de fortalecer as relações bilaterais e abordar questões de interesse comum. A data da viagem ainda não foi especificada.

O presidente francês deverá ser acompanhado por uma delegação que inclui investidores e representantes de empresas francesas, como parte dos esforços para promover a cooperação econômica entre os dois países. Além disso, as discussões também vão abranger desenvolvimentos regionais e internacionais.

Contexto da visita de Macron

A última visita de um presidente francês à Síria ocorreu em 2009, quando Nicolas Sarkozy esteve no país, antes da repressão violenta do governo Assad às manifestações pró-democracia em 2011. Esse conflito resultou na morte de mais de meio milhão de pessoas e na devastação da infraestrutura e da indústria sírias.

No ano passado, o emir do Catar, Sheikh Tamim bin Hamad Al-Thani, tornou-se o primeiro líder estrangeiro a visitar Damasco após a ascensão do novo governo liderado pelo presidente Ahmed al-Sharaa. A visita de Macron ocorre em um contexto delicado, onde as novas autoridades sírias enfrentam o desafio de unificar o país após mais de 13 anos de guerra civil.

Recentemente, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, esteve na Síria em janeiro deste ano, seguida pelo presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, em abril. No entanto, Macron se destaca como o primeiro líder de um estado da União Europeia a visitar a capital síria, após receber Sharaa em Paris no ano passado.

Desafios para o novo governo sírio

A visita de Macron acontece em meio a um recente ataque a um café em Damasco, que resultou na morte de 10 pessoas, evidenciando os desafios que o novo governo sírio enfrenta na busca pela reunificação do país. O atentado representa uma das muitas dificuldades que as autoridades têm enfrentado na tentativa de estabilizar a situação interna e promover a reconstrução após anos de conflito.

A presidência francesa não comentou imediatamente sobre a visita de Macron, mas a expectativa é que a viagem represente um passo significativo nas relações entre a França e a Síria, em um momento em que o país busca se reerguer e enfrentar suas crises internas.