A proposta de criação de um comissário nacional de maternidade na Inglaterra foi classificada como "fundamentalmente perigosa" por Emily Barley, uma mãe que perdeu sua filha devido a falhas no sistema de saúde. A declaração foi feita durante uma entrevista ao programa Today da BBC Radio 4.

Barley, que fundou a Maternity Safety Alliance após a morte de sua filha Beatrice em 2022 no hospital de Barnsley, expressou preocupação de que a recomendação contida no relatório Amos não resolverá os problemas culturais mais amplos que afetam a segurança materna.

Necessidade de Reformas Urgentes

A especialista destacou a urgência de reformar os serviços de triagem de maternidade, que ela compara ao pronto-socorro (A&E) para partos. Barley argumentou que é necessário aumentar a quantidade de profissionais de saúde em turno para garantir que as preocupações das mulheres sejam tratadas de forma mais eficaz e rápida.

Além disso, Barley defendeu que as famílias devem ter o direito de solicitar uma nova investigação independente quando houver insatisfação com os resultados das investigações conduzidas pelos hospitais. Essa medida, segundo ela, é crucial para garantir que as questões de segurança sejam abordadas de forma transparente e justa.

Sistema de Compensação e Racismo Estrutural

A ativista criticou ainda o sistema atual do NHS, que considera "brutal" e "cruel" em relação à compensação oferecida a famílias que sofreram danos ou perda. Ela sugere que esse processo deveria ser substituído por um modelo no qual os hospitais admitissem erros imediatamente, promovendo uma cultura de responsabilidade e transparência.

Barley também enfatizou a necessidade de o NHS combater o racismo e a discriminação que, segundo ela, estão "embutidos" em todo o sistema de maternidade e neonatal. Essa questão é vista como um obstáculo significativo para a melhoria da segurança e da experiência das mulheres durante a gestação e o parto.

As opiniões de Barley refletem um crescente clamor por mudanças estruturais no sistema de saúde, especialmente após a publicação do relatório Amos, que expôs falhas significativas nos cuidados maternos. A criação de um comissário de maternidade é vista por alguns como uma solução, mas Barley acredita que essa abordagem é insuficiente para lidar com os problemas enraizados que afetam a segurança das mães e dos recém-nascidos.