Mais de 500 pessoas estão desaparecidas após dois barcos, que transportavam principalmente refugiados Rohingya, naufragarem na costa de Mianmar nas últimas semanas, segundo um comunicado conjunto de duas agências da ONU publicado na quinta-feira.

De acordo com informações preliminares, as embarcações partiram do estado de Rakhine, em Mianmar, no final de junho. A maioria dos passageiros é composta por Rohingya, incluindo alguns que teriam saído de campos de refugiados em Cox's Bazar, Bangladesh.

Desaparecimento e naufrágio

Um dos barcos, que levava 250 pessoas, perdeu contato logo após deixar a costa. O outro, com 280 pessoas a bordo, é acreditado ter naufragado na costa de Ayeyarwady em 8 de julho, conforme informações da Organização Internacional para as Migrações (OIM) e do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

Se confirmada, essa tragédia se somaria a quase 300 pessoas que já foram reportadas como desaparecidas ou mortas no mar de Andaman e na baía de Bengala em 2026, incluindo refugiados Rohingya e cidadãos de Bangladesh.

Condições de vida dos Rohingya

Os Rohingya são um grupo minoritário muçulmano, predominantemente do estado de Rakhine, que enfrentam perseguições severas e foram forçados a deixar suas casas. Desde 2017, mais de 1,2 milhão de Rohingya fugiram para Bangladesh, vivendo em condições precárias em campos superlotados.

Em 2025, o ACNUR estimou que 6.500 Rohingya tentaram buscar melhores condições de vida no exterior por meio de perigosas jornadas marítimas organizadas por traficantes. Em 2026, quase 900 Rohingya foram reportados como desaparecidos ou mortos no mar do Oceano Índico setentrional, enquanto muitos tentam chegar a países como Malásia, Indonésia e Tailândia.

Nos últimos anos, milhares de refugiados Rohingya chegaram à província de Aceh, na Indonésia, após uma travessia de mais de 1.800 quilômetros em embarcações de pesca superlotadas e em condições precárias. Dependendo do estado do barco, a viagem pode levar de duas semanas a mais de um mês.

As agências da ONU destacaram que os incidentes relatados evidenciam os riscos persistentes associados às redes de contrabando e tráfico, que continuam a explorar a desesperança de pessoas em busca de segurança.

Condições marítimas perigosas

Os barcos que desapareceram partiram em um período fora da temporada de navegação regular, quando as condições marítimas são tipicamente mais perigosas. Julho marca o pico da monção sudoeste no mar de Andaman, caracterizado por chuvas intensas, mares agitados e ventos fortes.

As recentes chuvas torrenciais e inundações na região aumentaram ainda mais os riscos associados a essas movimentações no mar. O ACNUR e a OIM expressaram grande preocupação com a potencial perda de vidas, embora os incidentes e os números de vítimas ainda não tenham sido oficialmente confirmados.

O agravamento do conflito e da situação humanitária em Mianmar, aliado à assistência limitada e às oportunidades nos campos de refugiados em Bangladesh, contribui para o aumento do número de pessoas que tentam jornadas marítimas perigosas em busca de segurança e proteção.