Duas semanas após dois terremotos consecutivos devastarem a Venezuela, a população ainda vive momentos de angústia. O governo local contabiliza ao menos 3.685 mortos e 16.740 feridos, mas especialistas sugerem que esses números podem estar subestimados.
A correspondente da CNN, Osmary Hernández, esteve em Caraballeda, na região de La Guaira, onde conversou com Fabiana Blanco, uma menina de 12 anos que se tornou um símbolo de sobrevivência ao ser resgatada após passar 32 horas sob os escombros.
A história de Fabiana rapidamente viralizou nas redes sociais, especialmente pela imagem dela emergindo dos destroços com um sorriso no rosto.
Em entrevista à CNN, Fabiana relatou as condições em que ficou presa: “Acima de mim havia um teto, o que era o teto e o piso do segundo andar. Caiu quase tudo aqui nas minhas costas e eu consegui me acomodar de barriga para cima, mas essa perna ainda ficava no ar, presa no teto”.
Com ferimentos no joelho e no pé esquerdo, ela teve que se arrastar com dor para se reposicionar. “Com toda a dor do mundo, tive que me raspar para poder me colocar reta, porque foi doloroso”, disse.
A fé foi um fator importante para Fabiana durante esse período difícil. “O que me ajudou a me manter tranquila durante tantas horas e estar ali foi Deus”, declarou. Ao ser resgatada, ela saiu sorrindo, uma imagem que emocionou a todos.
“Saí com um sorriso radiante porque foi Deus que mandou seus anjos, uma luz que foi minha esperança e minha fé para me dar força”, explicou. Fabiana se sente “renovada” e expressou um desejo de se tornar atriz ou escritora, embora muitos de seus colegas tenham deixado a região após os tremores.
A região de La Guaira foi a mais afetada pelos tremores, com centenas de edifícios desabando. Além das vítimas fatais, quase 18 mil pessoas estão desabrigadas, devido a desabamentos ou danos estruturais causados pelos terremotos e suas cerca de 800 réplicas.
Acampamentos temporários e ajuda humanitária
Os desabrigados estão acomodados em quase 90 acampamentos temporários. Em La Guaira, são 26 acampamentos, abrigando mais de 10 mil pessoas, enquanto em Caracas há outros 39 pontos de acolhimento.
A solidariedade de venezuelanos e estrangeiros tem sido fundamental, com doações de alimentos, água, remédios e roupas para as vítimas.
As equipes de resgate seguem trabalhando na remoção de escombros em busca de corpos soterrados, um processo dificultado pela falta de maquinário pesado. Voluntários têm se esforçado para retirar o que é possível manualmente e realizar sepultamentos.
Na semana passada, uma médica legista mencionou à CNN que lida diariamente com 400 corpos, o que reforça as dúvidas sobre a subnotificação das mortes pelo governo.
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