As moedas sociais estão se consolidando na Bahia como uma estratégia inovadora para o desenvolvimento econômico e social. Essas formas de pagamento, que incluem a ‘Concha’ e o ‘Guaraná’, têm como objetivo movimentar a renda local e fortalecer o comércio nas comunidades, mantendo os recursos dentro do território.
O sistema de moedas sociais é gerido por bancos comunitários e possui paridade com o Real, permitindo que a população utilize essas moedas em estabelecimentos locais. Atualmente, esse modelo já está presente em diversos distritos e bairros de Salvador, funcionando como uma ferramenta de auxílio financeiro e incentivo ao consumo interno.
Objetivos e funcionamento das moedas sociais
José Paulo Crisóstomo, superintendente de Economia Solidária da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte da Bahia (Setre-BA), destaca que as moedas sociais têm como foco a redução da pobreza. “Elas visam promover a inclusão financeira e fortalecer o empreendedorismo local”, explica.
Os bancos comunitários, que fazem parte desse movimento de Economia Solidária, emitem suas próprias moedas e oferecem microcréditos com juros baixos ou isentos, baseados na confiança entre os membros da comunidade. Isso permite que os moradores utilizem as moedas sociais para adquirir produtos e serviços em comércios locais, promovendo uma circulação interna de renda.
Impacto nas comunidades
A moeda social não se limita a ser um meio de pagamento; ela representa uma rede de apoio para os moradores. Antônia Correia, moradora da Ilha de Matarandiba, relata que a utilização da moeda ‘Concha’ teve um papel fundamental em sua vida. “Me ajudou muito na minha vida. Nas horas que eu mais precisei, eu achei o apoio e isso me fez muito bem”, afirma.
Antônia destaca que o acesso ao microcrédito e a aceitação da moeda em lojas de material de construção foram decisivos para realizar a reforma de sua casa. “É uma benção muito grande que Deus me deu para realizar meu sonho de fazer meu barraco”, ressalta.
Além do suporte financeiro, as moedas sociais também promovem um sentimento de pertencimento e identidade cultural nas comunidades. O superintendente Crisóstomo explica que a escolha dos nomes das moedas reflete a cultura local, como a ‘Itapicuru’, que homenageia o rio da cidade de Queimadas, e a ‘Concha’, que remete aos pescadores da região de Matarandiba.
A implementação de moedas sociais tem se mostrado eficaz para evitar a fuga de recursos do município, gerando oportunidades de emprego e autonomia para os cidadãos. “Isso gera dignidade e cidadania, pois dá ao cidadão a autonomia para comprar aquilo que realmente precisa”, conclui Crisóstomo.
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