As autoridades de Mônaco identificaram uma suspeita envolvida em um atentado a bomba que deixou feridos um milionário de origem ucraniana e outras duas pessoas. A informação foi confirmada pelo escritório do promotor do principado nesta quinta-feira.

De acordo com o comunicado, um mandado de prisão foi emitido para a suspeita, que será objeto de um Aviso Vermelho da Interpol a partir desta noite. O jornal francês Le Figaro e a BFMTV relataram que a pessoa, flagrada por câmeras de segurança usando um chapéu de pescador preto, é uma mulher que tentava se passar por homem.

Investigação em andamento

O promotor público de Mônaco, Stéphane Thibault, não se aprofundou nas características da suspeita em sua declaração, mas anunciou uma coletiva de imprensa marcada para a sexta-feira, antes do meio-dia. Ele elogiou as forças policiais de Mônaco e a “efetiva cooperação internacional no âmbito criminal, tanto policial quanto judicial”, que possibilitou a identificação rápida da pessoa suspeita de ter realizado o ataque.

Uma investigação judicial por tentativa de homicídio e outras várias acusações foi aberta e confiada a três juízes instrutores. O incidente ocorreu na noite de segunda-feira, quando um indivíduo deixou um pacote no hall de entrada de um pequeno prédio de apartamentos, a poucos passos da fronteira francesa.

Vítimas do atentado

Momentos depois, um dispositivo explosivo detonou no local, ferindo três residentes que chegavam ao prédio: um casal e seu filho de 13 anos. As autoridades de Mônaco ainda não confirmaram a identidade das vítimas, mas fontes consistentes indicam que o alvo do ataque foi Vadym Yermolaiev, de 58 anos, um empresário rico nascido na Ucrânia e atualmente nacional cipriota, junto com sua parceira e seu filho.

O jovem foi internado em estado de emergência, mas não crítico, no hospital infantil Lenval, em Nice, enquanto os dois adultos, cujas vidas estavam em risco, foram levados para o Hospital Universitário de Nice (CHU). Na quarta-feira, a condição do homem havia melhorado, mas a situação da mulher ainda não estava estabilizada.

Yermolaiev é residente de Mônaco desde pelo menos 2021 e, desde dezembro de 2023, está sob sanções na Ucrânia devido às suas atividades empresariais na Crimeia, anexada pela Rússia. O governo de Kyiv alega que ele operava um negócio de bebidas alcoólicas na Crimeia, pagando impostos a Moscou mesmo após a invasão da Ucrânia em 2022.

Uma fonte informou à AFP que havia pessoas dispostas a eliminar o magnata da construção em Dnipro, a cidade industrial ucraniana onde ele fez sua fortuna. O atentado gerou grande repercussão em Mônaco, um microestado altamente seguro, conhecido por ser um destino para os ultra-ricos do mundo.