David Willey, correspondente da BBC no Vaticano, faleceu aos 93 anos. Com uma carreira que se estendeu por mais de meio século, ele se destacou como um dos principais jornalistas a cobrir a Santa Sé, acompanhando cinco papas ao longo de sua trajetória.
Willey, que começou sua carreira como trainee na agência de notícias Reuters, ganhou notoriedade ao reportar eventos significativos, como a assinatura do Tratado de Roma em 1957, que deu origem à Comunidade Econômica Europeia. Em uma reflexão sobre esse momento, ele recordou: "Estava realmente lá na grande sala decorada com cenas de batalhas romanas antigas, quando os seis fundadores da Europa dos Seis assinaram o Tratado".
Cobertura do Vaticano e reconhecimento
Com uma vasta experiência, Willey se tornou uma autoridade no Vaticano, escrevendo um livro sobre o Papa Francisco e recebendo a Ordem do Império Britânico (OBE) por suas contribuições ao jornalismo de rádio e televisão. Ele continuou ativo na profissão até seus noventa anos, refletindo sobre as mudanças na Igreja sob a liderança do Papa Francisco após sua morte.
O correspondente da BBC, Mark Lowen, destacou a importância de Willey, afirmando: "Ele era uma incrível autoridade sobre o Vaticano, e foi muito gentil, oferecendo insights e encorajamento quando comecei em Roma em 2019". Gillian Hazell, produtora de notícias que trabalhou com Willey, o descreveu como "um amigo e colega estimado, com um senso de humor travesso e histórias fascinantes de suas experiências ao redor do mundo".
Legado e últimos anos
Além de sua extensa cobertura jornalística, Willey é lembrado por sua reportagem sobre a tentativa de assassinato do Papa João Paulo II em 1981. No ano passado, ele teve a oportunidade de encontrar seu quinto papa, o recém-eleito Papa Leão, e refletiu sobre sua própria vida e carreira, notando que havia vivido sob oito papados sucessivos.
Willey também se recordou de suas primeiras reportagens sobre o Vaticano, quando dependia de um oficial corrupto da Santa Sé para obter textos de discursos papais antes de suas entregas. Ele compartilhou uma experiência de ter que pegar um documento em um café próximo à entrada dos trabalhadores do Vaticano em um domingo de Páscoa.
David Willey faleceu de insuficiência cardíaca na Itália, país onde fez sua casa. Até o fim de sua vida, ele permaneceu uma fonte valiosa de conhecimento e experiência para os jornalistas que o sucederam.
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