Pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Francisco (UCSF), da Escola de Medicina Icahn do Monte Sinai, do Institut Pasteur e do Fred Hutchinson Cancer Center identificaram uma pequena mutação genética que pode explicar como os vírus de morcegos se adaptam para infectar humanos, tornando-se ameaças potenciais. O estudo foi publicado na revista Cell Host & Microbe.

O foco da pesquisa foi a comparação entre o SARS-CoV-2, responsável pela COVID-19, e o RaTG13, um coronavírus que infecta morcegos, mas que não é conhecido por infectar humanos. A equipe analisou como cada vírus interage com proteínas do sistema imunológico em células pulmonares humanas e de morcegos.

Impacto de uma Pequena Alteração

Os cientistas descobriram que a alteração de apenas um aminoácido em uma proteína viral chamada OrfB9 pode ter efeitos significativos. Embora as versões de OrfB9 do SARS-CoV-2 e do RaTG13 sejam quase idênticas, a diferença de um aminoácido resulta em reações distintas nas células pulmonares humanas e de morcegos.

No caso do SARS-CoV-2, a versão da proteína OrfB9 consegue desativar um sistema de alarme imunológico nas células humanas, permitindo que o vírus se replique com mais eficiência. Em contraste, a versão do RaTG13 ativa uma proteína imunológica nas células de morcegos, ajudando a controlar a infecção.

Prevenindo Futuras Transmissões

Os resultados ressaltam que alterações genéticas minúsculas podem determinar se um vírus permanece restrito ao seu hospedeiro natural ou se consegue se adaptar e proliferar em humanos. Nevan J. Krogan, diretor do QBI e autor sênior do estudo, afirma: "Mudanças genéticas diminutas podem ser a diferença entre um vírus que permanece em morcegos e outro que provoca doenças devastadoras em humanos".

A pesquisa oferece novas perspectivas sobre as mudanças moleculares que permitem que vírus animais se adaptem a humanos, possibilitando uma melhor identificação de vírus com potencial zoonótico antes que possam causar surtos.