Entre os dias 12 e 15 de outubro, Londres sedia a Conferência da Associação Internacional de Alzheimer, que reúne especialistas globalmente para discutir temas relacionados à demência. Em preparação para o evento, o neurologista comportamental Jagan Pillai, diretor do Centro de Saúde do Cérebro da Cleveland Clinic, abordou a complexidade do diagnóstico da doença, destacando a importância de diferenciar o Alzheimer de outras condições neurodegenerativas.
Diagnóstico: a necessidade de descartar outras condições
Pillai ressalta que, ao se deparar com um paciente que apresenta sintomas de cognição prejudicada, o primeiro passo é investigar causas que possam ser reversíveis. "É fundamental verificar se medicamentos estão causando alterações cognitivas. Também é preciso considerar doenças como depressão, diabetes descontrolada ou problemas reumatológicos que possam gerar inflamação no corpo", explicou.
Além disso, o neurologista aponta que condições menos evidentes, como disfunções da tireoide ou deficiências vitamínicas, podem afetar a capacidade cognitiva. Para isso, uma investigação detalhada do histórico médico do paciente é essencial. "Se as causas reversíveis forem tratadas, o paciente pode retornar à sua vida normal", acrescenta.
A importância do suporte familiar no diagnóstico
Após eliminar as causas reversíveis, a investigação sobre a condição do paciente deve se aprofundar. Pillai enfatiza a relevância da presença de familiares ou cuidadores que possam oferecer uma visão externa sobre a situação. O neurologista também alerta que o Alzheimer pode levar até 20 anos para se manifestar, e que, em sua fase inicial, o paciente pode ainda manter funcionalidade em suas atividades diárias, embora com mudanças cognitivas mais significativas do que o esperado para sua idade.
Tradicionalmente, os especialistas contavam com dois testes principais para confirmar o diagnóstico de Alzheimer: a análise do líquido espinhal e a tomografia por emissão de pósitrons (PET), ambos procedimentos caros e limitados ao acesso público no Brasil. Recentemente, surgiram exames de sangue que conseguem detectar alterações biológicas até 20 anos antes do aparecimento dos sintomas, disponíveis apenas na rede privada.
Tratamentos disponíveis e pesquisas futuras
Atualmente, existem medicamentos aprovados nos Estados Unidos e no Brasil que visam reduzir os níveis da proteína beta-amiloide no cérebro, associada ao risco de Alzheimer. Entretanto, esses tratamentos não curam a doença e apresentam benefícios limitados em pacientes com demência moderada. Em entrevista à Folha de São Paulo, o cientista Bruce Miller, diretor do Centro de Memória e Envelhecimento da Universidade da Califórnia, revelou que, em 2027, estudos serão divulgados com indivíduos saudáveis que apresentam depósitos de beta-amiloide, mas ainda não manifestam sintomas. O objetivo desses estudos é aplicar medicamentos precocemente para reduzir a concentração da proteína e retardar a progressão da doença.
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